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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A janta está esfriando - Dj-gugu Manuel Santos


Igual a todos os trabalhadores do mundo, eu também chegava em casa cansado e me jogava no sofá, e ligava a TV para saber das últimas notícias do dia. Naquela noite não estava sendo diferente, ate ser interrompido por meu filho, na época com 5 anos, que ao me ver chegar correu pedindo-me atenção. Sem paciência, e me sentindo exausto, peguei um pedaço de papel e lápis e pedi que ele fizesse algo enquanto eu via mais uma vez o repórter, com as mesmas manchetes, e os mesmos entraves políticos. Volta e meia, ele me interrompia me fazendo perguntas sem nexo, tipo:
-Papai como se escreve “UE”? Papai como se escreve “OMA”
-Filhinho, respondi com pouca paciência, papai ta vendo o repórter e ta cansado depois você pergunta, o que quiser... Lu estava na cozinha preparando algo para jantar, também trabalhava durante o dia, e chegava a casa pouco antes de mim, Silvia no quarto dela arrumando seus brinquedos e eu e o “Chato” do Renato na sala, eu querendo ver o repórter, e ele querendo escrever o que ainda não sabia (escrever).
A gente não percebe o quanto de errado nos comportamos em família. E muito comum colocarmos a culpa nos meios de comunicação, na modernidade, na violência urbana, etc. Mas não reconhecemos, que muito do que podemos mudar... esta bem ali - diante dos nossos olhos, logo abaixo do nosso nariz. Estamos presos aos “nossos” problemas, as nossas responsabilidades, e a tudo que nos cerca “fora” do lar.
Na vida moderna, onde homem e mulher trabalham, para melhorar a parte financeira da casa, esquecemos que pagamos um alto preço pelo que deixamos de administrar em família, e delegamos a outros, aquilo que é de nossa inteira responsabilidade - educar e amar nossos filhos.
Tantas vezes insistiu, e tantas vezes ficou sem resposta... que acabou adormecendo em meu colo sobre o sofá, enquanto eu ainda via a TV.
Lu me avisou que a janta estava pronta, então delicadamente, peguei-o no colo e ia me dirigindo ao seu quarto, quando um papel, o mesmo que eu havia dado para ele se distrair, caiu no chão, curioso, peguei o papel ainda antes de levá-lo para a cama, e li o que me parecia IMPOSSIVEL, pois o Renato ainda não sabia escrever, estava na alfabetização, aprendendo o som das letrinhas. “Papai eu te amo”. Como um soco aquilo me atingiu em cheio. Dentro do seu pequeno mundo, tentando demonstrar seus sentimentos, e era ignorado por mim, na troca de um simples programa de TV, que se repetem todos os dias - enquanto momentos como esse eu nunca mais tive. Carinhosamente eu o apertei em meus braços e velei seu sono por muito tempo.
A janta esta esfriando, falou minha esposa...
OS: Mandei emoldurar esse texto, junto a uma foto sua, e até hoje me emociono ao ver tanta espontaneidade ignorada por mim...

domingo, 30 de dezembro de 2012

Muro das Lamentações - Dj-Gugu

Desesperado, eu olhava para o mar da pedra de Itapuca, e pedia uma solução...”Ela disse: acabou, não posso perdoar tamanha traição”...E eu me perguntava o tempo todo, por quê tinha feito aquilo? As lágrimas escorriam sem controle e com medo de ser visto, fiz sinal para o primeiro táxi que passou. Pulei imediatamente para o banco de trás (coisa que nunca tinha feito ate então)e por achar que estava protegido deixei a mágoa explodir...As luzes da cidade passavam como estrelas cadente diante dos meus olhos, o silencio da noite (já era de madrugada) gritava alto no meu consciente me afirmando, que a perda era irreparável. 
Assim do nada, o táxi parou, e para a minha surpresa, era uma mulher ao volante (algo nos anos 70, raro).Ela se virou e perguntou:
_Posso te ajudar em alguma coisa?
Com a resposta negativa, ela insistiu...
_tenho um filho da sua idade (20 anos) e se um dia eu o ver chorar assim, vou ficar louca se não poder ajuda-lo...Por favor é uma mãe que te implora...me conta...
Foi como apertar a tecla “Enter”, e uma avalanche de palavras e sentimentos de culpa saíram sem controle, Acho que esse papo deve ter durado horas...sei lá...
Escutei dela as seguintes palavras:
Seja quem for, ela não merece essas lágrimas, nem você se sentirá digno de se apresentar nesse estado...Você tem um mundo muito grande a sua frente e a vida vai te ensinar a suportar tudo isso, e pessoas como você, vão ser felizes pois aprendem rápido as lições da vida...Nos despedimos e ela nem me cobrou a corrida dizendo que eu tinha feito muito mais por ela do eu ela por mim...
Num dia desses, eu fui essa “motorista” para uma pessoa muito especial na minha vida e poucos entenderam por que eu a entendi tão bem...Não importa a idade que você tenha, os sentimentos e o que se aprende, não envelhecem.


                                                  Pedra de Itapuca, Icaraí, Niterói-RJ

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O Destino - Dj Gugu

A vida nos coloca em lugares e situações nunca antes imaginados.
Eu e um professor do meu colégio, nos apaixonamos pela mesma garota. Eu com 19, e ele com uns 35, e
uma vantagem de conhecimentos e poder bem superiores aos meus. Cada um usava bem as armas que tinha, eu sempre apelava para a intolerância e a juventude. Ele, para o poder de sedução e das notas no diário de provas.
Durante um bom tempo nos degladeamos; carro riscado, pneu vazio; e ele com faltas por atrasos, e notas severas de correção. Bem, o tempo passou e quis o destino que ela me escolhesse. Nosso namoro demorou quase três anos, mas, mais uma vez a vida mudou o curso da história, e eu acabei me casando com outra... Os caminhos, como já avia dito antes, nos levam a lugares nunca antes imaginados.
Nos meus altos e baixos na vida, mais baixos do que altos, e, em um desses meus mais de trinta empregos, eu me encontrava numa situação financeira bem delicada. Minha filha fazia a iniciação ao primário, era inteligente e precisava de um bom colégio para continuar o nível elevado de sua aprendizagem, os colégios do estado infelizmente já estavam em queda vertiginosa na qualidade de ensino. Ouvi dizer que no meu antigo colégio, onde eu tinha estudado (Nilo Peçanha) estavam dando ate 50% de desconto nas mensalidades para filhos de ex alunos,não podia deixar passar esta grande oportunidade, e no mesmo dia me dirigi ao colégio na esperança de conseguir a bolsa de estudos para a minha filha. Ao chegar não contava com uma fila de gente tão grande, comentava-se que o número de bolsas era limitado, e que só depois de um processo de avaliação, os candidatos seriam contemplados. Embora a vontade de desistir fosse enorme, esperei para ser atendido por mais de duas horas. A quantidade de gente era muito grande, e algumas pessoas saiam da entrevista com olhares desanimadores. Enfim chegou minha vez, ao entrar meu coração deu um aperto grande, ele ainda não tinha olhado para mim, continuava anotando qualquer coisa em uma agenda, e ainda cabisbaixo, fez sinal para que eu sentasse, claro... ele não ia lembrar-se de mim, eu estava com uns 35 anos e a última vez que nos vimos eu tinha 19. Mas era ele, ele mesmo, o meu rival do passado, agora diretor do colégio onde eu estudei e pretendia matricular minha filha, caso a bolsa eu conseguisse.
Fiquei mudo olhando para o chão esperando que ele acabasse de escrever, e ao não me reconhecer, aceitasse meu pedido e... Seu boa noite foi um “tiro a queima roupa”, Perguntou:
_ Casou com ela?
Procurava palavras que pudessem ser ditas sem interferir no assunto que era outro, mas saiu naturalmente...
_Não, casei-me com outra pessoa... e hoje vim aqui tentar conseguir uma bolsa de estudos pra minha filha, que é muito inteligente e precisa de um bom colégio... Ainda buscava palavras para tentar amenizar o que seria uma excelente oportunidade dele me rejeitar, aproveitar o momento e desferir um golpe mortal!
_100% esta bom? Foi a sua proposta ( quase desabei em lágrimas )
Sim poderia terminar esta história aqui, se o destino não tivesse me aprontado umas das mais belas surpresas de minha vida...
Final
Minha filha já estudava a mais de cinco meses sem que eu pagasse um tostão, e ela iria participar de uma festa junina para angariar recursos para o caixa do colégio, ajudar ainda mais alguns alunos que dependiam da bolsa para estudar. Claro nós não podíamos deixar de ir, e prestigiar importante acontecimento,de causa tão nobre.
Na noite em questão, chegamos à festa acompanhado de nossos filhos e eu também aproveitei para rever antigos alunos do colégio da minha época, que como eu também tinha lá seus filhos estudando. Em um momento de distração minha filha soltou minha mão, e correu em direção a uma pessoa que acabava de chegar, confesso que fiquei com um pouco de ciúmes, ele se agachou e ela em uma corrida frenética se atirou em seus braços, e os dois num abraço apertado, se beijaram no rosto, e ele rodopiou minha filha no ar agarrada a seu pescoço, em um frenesi de pura alegria... Olhou para os lados perguntando atonitamente, quem era os pais daquela menina que ele tinha no colo, pois os dois eram super amigos e ele ainda não tinha tido o prazer de conhecer seus pais!

“Dedico esta história ao professor Florihermes, como sendo uma das pessoas mais importantes que conheci!”