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sábado, 8 de junho de 2013

Como você percebe as coisas?

Em vários textos podemos encontrar impressa a ideia de que só percebemos realmente com o cérebro e não com os órgãos dos sentidos, que são apenas condutores de sinais e vias de conexão com o mundo externo.
Tanto em livros quanto em jornais, tem-se visto essas ideias cada vez mais e como exemplo, temos o famoso violonista Joshua Bell, que se apresentou no metrô de Washington vestindo roupas simples e apenas uma pessoa o reconheceu tocando ali naquele lugar e daquela forma. (Vale a pena ver a experiência realizada pelo Washington Post: HTTP://www.youtube.com/watch?v=51Rd4tp6wpg
). Esse fato também foi citado na crônica de Marcos Rolim ''O violonista e o cachorro-quente''; publicada na Zero Hora do dia 02/06/2013.

A ideia é bem interessante: se não tem propaganda, não haverá negócio. No livro do Leonard Mlodinow, “Subliminar”, ele afirma que médicos dão mais atenção ao paciente de acordo com o dinheiro investido. Embora muitos médicos acreditem ser imunes à influência monetária (pág. 243). Estudos mostram que não é bem assim que as coisas acontecem. Médicos pesquisadores que mantém ligações financeiras com laboratórios farmacêuticos são bem mais propensos a relatar descobertas que apoiam os medicamentos dos patrocinadores e tendem menos a relatar resultados desfavoráveis que pesquisadores independentes.
Enfim, como negar que vislumbramos melhor as coisas todas sob influência dos holofotes?
E não falo apenas do brilho, do papel do presente, do frasco do perfume ou da roupa cara. A história que contamos, diz muito. A apresentação que fizemos e que ouvimos dos outros também. Tudo como se nos é apresentado e como. Se somos todos 'ouvidos' e percebemos tudo, cada detalhe tem seu impacto e o discurso é um dos principais.
Quanto mais rico o discurso, maior o impacto. Mlodinow acrescenta ainda que se falarmos mais rapidamente, teremos mais chances de êxito e que quanto melhor a sonoridade de nossas vozes, maior nossa sorte. Tudo isso, somados ao um bom discurso, um bom impacto visual, propaganda, fica difícil imaginar quem não gostaria dessa tal pessoa que acabamos de vislumbrar!
As forças e motivações inconscientes que nos impulsionam para um lado e para o outro, tanto para mais quanto para menos, chacoalhando nossas escolhas e decisões só conta com um porém, um fato regulador, ou ato de disciplina, que é a consciência. Essa sim, a única aliada na hora em que não podemos resvalar nas cascas de banana que andam espalhadas pelo chão de tantos lugares, ruas, becos e afins.
Doris Ritter de Abreu é Psicóloga

terça-feira, 8 de maio de 2012

Perversão Sexual - Doris Ritter de Abreu

Casos de Pedofilia, por ser um transtorno sexual gravíssimo (pelos danos causados às vítimas), chamam mais atenção, principalmente da imprensa, quando a circunstância envolve um vizinho, cliente, fornecedor, colega ou um semelhante.
Enquanto são vistos em filmes, livros, telejornais de cidades grandes, notícias internacionais, parecem que nunca vão chegar até nós.
Mas, quando a coisa acontece na casa do vizinho de classe, parece que um filme de terror invadiu a sala e pulou dali em 3D, como um animal, uma besta fera capaz de fazer crueldades com criancinhas, podendo ser os nossos entes, parentes, amigos. De repente, pode estar atendendo o seu filho numa loja? E agora?
Mas, pra quem já passou por essa realidade ao vivo e em cores, trabalhando em vilas, postos de saúde, hospitais, presídios e, que dirão os agentes de saúde, que sabem mais sobre o que acontece na cidade do que muitos profissionais... Eles sabem que esse tipo de crime é mais comum do que se imagina, sem que sejam mencionados nos jornais. Não é privilégio de cidade pequena. Essa é a realidade! Só chama atenção, se alguém da mesma classe social for o contraventor.
Geralmente os abusadores, são pessoas próximas, de confiança da família, ou são provedores do grupo e por esse motivo, muitas famílias optam por não denunciar. A exceção se dá quando o abusador procura um trabalho ou atividade que lhe dê acesso às vítimas ou as vítimas recebem alguma recompensa pelo ‘favor’. Caberia à policia prestar mais atenção nestes casos, pois as vítimas, geralmente são de baixíssima renda e pouca formação intelectual.
Afirmar que o pedófilo é uma pessoa inteligente, bem-sucedido, como li recentemente na mídia, é um tanto quanto “perigoso”, já que a inteligência não está associada às doenças, e sim, a hereditariedade e a estimulação precoce. Existe perverso, pedófilo e outros tantos tipos de doentes que são inteligentes, acima do esperado como normal (de 90 a 120 de QI) e tem os que se mantém na média. Além daqueles que apresentem inteligência abaixo do esperado para o normal. Portanto é um mito afirmar que um perverso ou um portador de doença mental, é em geral, uma pessoa superdotada intelectualmente.
Quanto às VÍTIMAS, a ciência começa a fornecer a comprovação da influência do trauma na configuração do aparato neuroendócrino, da arquitetura cerebral, da estrutura permanente da personalidade e dos padrões de relacionamento posteriores (Perry, 1995). O estudo da transmissão transgeracional adicionou ainda mais preocupação, pois sabe-se que as experiências ficam marcadas na herança genética e nos padrões de vínculo, sendo, portanto, repassadas de uma forma ou de outra" (Azambuja, Ferreira & Cols). Pág 20, Livro ‘Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes’

Doris Ritter de Abreu Valença
Psicóloga CRP 07/10353
Especialista em Neuropsicologia

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Psicólogo e o Tratamento de Apenados, por Doris Ritter

Estudei muito além da psicologia. Fiz curso de psicanálise, psicopatologia, neuropsicologia, dentre outros e os criminosos sexuais não passavam dos livros, TVs, jornais e afins.
Mas, dentre um ou outro caso na clinica particular, onde se trabalha apenas a vítima, acabei indo trabalhar dentro de um presidio.
Eu tinha muita bagagem teórica e pouca prática com delinquentes. Apenas havia trabalhado numa fazenda de recuperação de dependentes químicos, com um ou outro perverso.

Logo no inicio, uma agente penitenciária foi me mostrando o local e falando de alguns casos... Alguns, conforme ela ia descrevendo a cena, era como se aquele “toim-toim” do Law and Order Special Victims Unit  tocasse dentro da minha cabeça como um martelo.
O coração quase saía pela boca!
O psicopata não procura tratamento espontaneamente, e dificilmente um parafílico. E existe uma diferença entre os dois. Uma pessoa com desvio sexual pode vivê-lo sem cometer um crime, enquanto que um psicopata, pode não estuprar ninguém, mas pode ser sádico uma vida inteira, seduzindo e abandonando, humilhando, fazendo sofrer apenas psicologicamente o outro.

São dois extremos que as pessoas geralmente confundem e misturam.

Um parafílico, por exemplo, é todo aquele que sente prazer de forma não convencional e isso pode incluir objetos inanimados, sendo que uma pessoa pode ter sua vida sexual sem interferir na sua vida comunitária. O parafílico pode ter sentimentos de culpa, enquanto que o psicopata, não.

O psicopata tem transtorno de caráter e não sente em nenhum momento um pingo de arrependimento. Isso inclui uma gama muito grande de circunstâncias que não, necessariamente, sexuais. Haja visto o cenário político, as mentiras deslavadas, a roubalheira, etc.

Todo e qualquer ato praticado sem sentimento de culpa e que prejudique alguém é, em si, um ato de perversão. No caso de alguém que viola uma criança e não sente a menor culpa, manipulando tudo e todos ao seu redor, mentindo, fazendo-se de coitadinho, este sim, é um perverso portador de uma parafilia, que, dificilmente deixa de praticar esse tipo de crime se for solto novamente e exposto à tentação. Coisa que a gente sabe que acontece e muito breve. As penas não são duras e é tanta redução de pena que fica fácil sair de um presídio dentro de alguns poucos anos.

Um mito é achar que todo psicopata é inteligente. A inteligência é hereditária, portanto tal afirmação é tão sem fundamento quanto dizer que todos os esquizofrênicos tem cabelo liso.

Mas aconteceu um fato curioso. Lá eu encontrei um detento, que não era criminoso sexual, mas era perverso, inteligente e bonito. Dependendo da psicóloga, ele passava nos exames criminológicos, sendo que uma delas chegou ao cúmulo de afirmar que 'um homem tão bonito não podia ter cometido aquele crime'. Mas o MP não se enganava com ele não! O que me deixava mais tranquila.

O crime, bárbaro. A lábia dele era tão boa e o comportatmento de pouca exposição, que ele enganava até o agentes, o que é raro. Eu custei um pouco, mas me dei conta de como ele era. Completamente perverso e manipulador, com cara de anjo. Culto e envolvente. Esse comparecia ao tratamento imposto pelo MP apenas para exercitar suas capacidades de convencimento.

Eu comecei a dar 'corda' pra ele se enforcar com algumas interpretações subliminares das atitudes dele, e aos poucos, ele não voltou mais. Assim que ele se deu conta que eu não tinha me deixado levar por ele. Só vinha se fosse obrigado e não deixava de tentar novamente, testar a minha paciência com aquela ladainha.

Enfim, lá tratei pessoas que queriam ser tratadas, ou seja, que estavam lá sofrendo com aquilo e apenas estive junto de alguns seres humanos, sendo alguns perversos e uns tantos 'abusadores' sexuais. Sei que toda regra tem exceção e eu não consegui fazer nenhum milagre, ou seja, só pude ajudar quem queria ajuda. Algumas poucas pessoas estavam lá injustamente (isso acontece) e outras estavam lá por diversas circunstâncias, que as faziam sofrer.



Doris Ritter de Abreu Valença

Psicóloga CRP 07/10.353

Esp. Em Neuropsicologia