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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quem ocupa mais memória?

Se alguma vez você já se perguntou o que aconteceu com todo o espaço de seu disco rígido ou ficou quebrando a cabeça pensando como ganhar espaço, este programa pode ajudar.

O SpaceSniffer apresenta os dados de uso da memória em gráficos, facilitando a visualização e compreensão. Por isso, o aplicativo pode ser um grande aliado dos responsáveis por gerenciar pequenas redes.

Disponível para todas as versões do Windows, o sistema é gratuito. Mais informações e dicas de uso podem ser encontradas em inglês no site www.uderzo.it.

Como abrir uma garrafa de vinho com um sapato

Sons que Confortam

Martha Medeiros

"Eram quatro horas da manhã quando seu pai sofreu um colapso cardíaco. Só estavam os três em casa: o pai, a mãe e ele, um garoto de 12 anos. Chamaram o médico da família. E aguardaram.
E aguardaram. E aguardaram. Até que o garoto escutou um barulho lá fora. É ele quem conta, hoje, adulto: “Nunca na vida ouvira um som mais lindo, mais calmante, do que os pneus daquele carro amassando as folhas de outono empilhadas junto ao meio-fio”.
Inesquecível, para o menino, foi ouvir o som do carro do médico se aproximando, o homem que salvaria seu pai. Na mesma hora em que li esse relato imaginei um sem-número de sons que nos confortam. A começar pelo choro na sala de parto. Seu filho nasceu. E o mais aliviante para pais que possuem adolescentes baladeiros: o barulho da chave abrindo a fechadura da porta. Seu filho voltou.
E pode parecer mórbido para uns, masoquismo para outros, mas há quem mate a saudade assim: ouvindo pela enésima vez o recado na secretária eletrônica de alguém que já morreu.
Deixando a categoria dos sons magnânimos para a dos sons cotidianos: a voz no altofalante do aeroporto dizendo que a aeronave já se encontra em solo, e o embarque será feito dentro de poucos minutos.
O sinal, dentro do teatro, avisando que as luzes serão apagadas e o espetáculo irá começar.
O telefone tocando exatamente no horário que se espera, conforme o combinado. Até a musiquinha que antecede a chamada a cobrar pode ser bem-vinda, se for grande a ansiedade para se falar com alguém distante.
O barulho da chuva forte no meio da madrugada, quando você está no quentinho da sua cama.
Uma conversa em outro idioma na mesa ao lado da sua, provocando a falsa sensação de que você está viajando, de férias em algum lugar estrangeiro. E estando em algum lugar estrangeiro, ouvir o seu idioma natal sendo falado por alguém que passou, fazendo você lembrar que o mundo não é tão vasto assim.
O toque do interfone quando se aguarda ansiosamente a chegada do namorado. Ou mesmo a chegada da pizza.
O aviso sonoro de que entrou um torpedo no seu celular.
A sirene da fábrica anunciando o fim de mais um dia de trabalho.
O sinal da hora do recreio.
A música de que você mais gosta tocando no rádio do carro. Aumente o volume.
O aplauso depois que você, nervoso, falou em público para dezenas de desconhecidos.
O primeiro eu te amo dito por quem você também começou a amar.
E, em tempo de irritantes vuvuzelas, o som mais raro de todos: o silêncio absoluto.

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domingo, 30 de maio de 2010

Gazeta da Jerusalém, século I d.c.

Há duas semanas não se fala em outra coisa: de Damasco a Jericó, da Judéia à Galiléia, aquém e além Jordão, todos discutem a nova tecnologia que, segundo seus criadores, vai revolucionar a forma como lemos.

Para aqueles totalmente desinformados, que passaram os últimos dias saqueando cidades vizinhas, degolando gentios ou fazendo libações a Deus, explico: trata-se de um bloco retangular, mais ou menos do tamanho de um tijolo, embora mais fino, a que chamam de “livro”. A novidade tem conquistado tantos adeptos que já há quem anuncie o fim do pergaminho.

A maior diferença do “livro” em relação ao bom velho rolo é o conceito de “página”: em vez de o texto ser desenrolado continuamente, como fazemos há mais de mil anos – muito eficientemente, diga-se de passagem – o “livro” desmembra a escrita em centenas de retângulos de papel. Para passar de um parágrafo ao outro, quando se chega ao fim da tal “página”, é preciso virá-la e recomeçar a ler no verso da mesma, lá em cima, o que, segundo alguns estudiosos, interrompe o fluxo da leitura e compromete seriamente a compreensão do texto.

Os defensores do tal “livro” dizem que sua superioridade em relação ao pergaminho reside principalmente em sua capacidade de armazenamento. Enquanto nossos rolos chegam a no máximo dez metros, um “livro” pode conter centenas de “páginas”, o equivalente a dezenas de pergaminhos. Ora: para que eu quererei levar por aí tanta informação, se só consigo absorver uma palavra de cada vez? Além do mais, se pretendo ler dez ou vinte rolos, digamos, num fim de semana no Mar Morto, basta pedir a um escravo que amarre em nosso jumento o baú ou vaso onde os guardo, antes de partirmos.

Outra vantagem que os aficionados à nova tecnologia não se cansam de apontar é a facilidade de se achar um texto rapidamente, dada a existência da tal “lombada”. Se bem entendi, trata-se de uma das superfícies do “livro”, oposta à que se abre, onde pode-se escrever o título da obra. Ah, filisteus! Não sabem que o prazer da busca reside no caminho percorrido mais do que no objeto encontrado? Nunca viveram a delícia de tirar todos os rolos dos vasos e desenrolá-los, e na procura de um texto dar de cara com outros há muito lidos e esquecidos, e rememorar os dias da mocidade, quando o mundo era calmo e seguro, não havia cristãos rebelando-se nem invenções cretinas ameaçando a ordem?

Ouçam o que eu digo, filhos de Deus: nós lemos muito bem com o pergaminho por mais de um milênio e não há por que supor-se que assim não o faremos até o fim dos tempos. “Livro” é invencionice desses cristãos novidadeiros e um e outro devem desaparecer antes que você termine de ler o rolo de sua preferência. Páginas?! Lombadas?! Messias?! Quem acredita nessas sandices?