" Para colocar a bateria ou remove-la, o notebook deve estar desligado, inclusive a fonte deverá estar desconectada do notebook. Após efetuar a troca, reconectar a fonte e ligar normalmente o notebook."
"O primeiro passo ao receber a bateria, será colocá-la no notebook,
mesmo que apareça a informação de que a bateria já esta carregada. Deve deixar carregando por 8h a 12hrs.
Cuidados que devem ser tomados com as baterias de Notebook
A
vida útil das baterias recarregáveis é medida através de ciclos de
cargas, que variam em torno de 500 a 800 ciclos, dependendo do modelo da
bateria.
Todas
as vezes que ligamos o notebook sem o conversor AC/DC à energia
elétrica, com a bateria instalada, é gasto um ciclo de vida útil da
bateria, não importando o tempo ao qual o equipamento ficou ligado, um
ciclo de vida útil da bateria já foi consumido.
Para
evitarmos o desgaste prematuro das baterias, devemos sempre utilizar a
bateria do equipamento até o final da carga, e quando o equipamento
sentir que a carga da bateria está baixa, ele irá avisar emitindo sons
característicos, acendendo luzes, ou de alguma outra forma
característica de acordo com cada marca e modelo de Notebook. Devemos
atentar para a carga da bateria, esta deve ser feita de uma forma
contínua, sem interrupções, ou seja, se a bateria gasta duas horas para
ser carregada, ela deve ficar conectada à rede elétrica por duas horas,
consecutivas e ininterruptas. Estas informações devem ser verificadas no
manual do usuário do equipamento ( notebook ).
Antes
de utilizar as baterias novas, devemos fazer a carga inicial, para que
elas tenham longa duração e grande autonomia. Este procedimento é feito
da seguinte forma: coloca-se a bateria nova no equipamento, liga-se o
equipamento na rede elétrica, deixe-o carregar a bateria por 8h, não
importando ai o comunicado do equipamento de que a bateria já esta
carregada, após este período de carga, devemos desconectar o equipamento
da rede elétrica, e utilizar o Notebook até que a carga da bateria
chegue ao final, neste caso não há necessidade de ser contínuo, pode
haver interrupções. Quando a carga da bateria chegar ao final, devemos
carregá-lo por mais outro período de 8h. Este procedimento deverá ser
repetido por cinco vezes, e após isto, podemos utilizar o equipamento
normalmente.
Obs:
lembramos que é recomendado utilizar o notebook utilizando a energia da
bateria, pelo menos, uma vez por semana, se a bateria ficar por um
longo período sem utilização, as células podem ficar danificadas.
Recicle, seja conciente
"As
pilhas e baterias, quando descartadas em lixões ou aterros sanitários,
liberam componetes tóxicos que contaminam o solo, os cursos d'água e os
lençóis freáticos, afetando a flora e fauna das regiões circunvizinhas e
o homem, pela cadeia alimentar."
Muitos especialistas vêm debatendo os casos das pessoas que preferem se
relacionar virtualmente, esquecendo o mundo real. Essa discussão está
avançando em diversas frentes no segmento acadêmico e na área da saúde.
Os números preocupam porque as estimativas apontam que 10% da população
brasileira tem esse tipo de dependência. Para o psicólogo Cristiano
Nabuco de Abreu, essa preferência faz parte de um quadro ainda maior,
que é a dependência da internet. “Os indivíduos que apresentam uma
dificuldade ou deficiência, classificada como um transtorno (depressão,
fobia social ou transtorno bipolar do humor), têm uma predisposição a se
refugiar no mundo virtual. Utilizam esse ambiente como uma forma
alternativa de vida. Nisso se desenvolvem algumas consequências como,
por exemplo, a preferência por relacionamentos virtuais. Dependendo de
cada pessoa, o quadro pode ser grave ou simples de ser revertido, sem
maiores problemas”, esclarece. Nabuco, que também coordena projetos
do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), do
Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), revela que
essa dependência é mais preocupante entre os jovens. “Quando analisamos
os adolescentes ou indivíduos até 21 anos, verificamos que a região do
lobo frontal no cérebro, que inclui o córtex pré-frontal, responsável
pelo controle dos impulsos, onde se dá a decisão de fazer ou não fazer
alguma coisa, não está completamente desenvolvida. Por isso,
naturalmente são mais vulneráveis e propícios a apresentar quadros mais
graves de dependência”, declara. O perfil desse indivíduo se encaixa
naquele tipo que prefere ficar conectado na grande rede, em jogos ou
sites de relacionamento. “Agora é bom esclarecer que não existe problema
em acessar a internet. Ela é a ponta do iceberg. Um agente que facilita
no diagnóstico de um quadro. Quando o indivíduo se refugia na grande
rede, ele já apresenta um problema psiquiátrico, conforme descrevemos
acima, ou um problema psicológico”, revela Cristiano.
Outra personalidade
Mesmo aquelas pessoas que têm uma vida normal no mundo físico podem
procurar o mundo virtual (a internet) para manifestar outro lado da sua
personalidade. A psicanalista e teóloga Daysi Rezende diz que existem
indivíduos que não mostram exatamente aquilo que são. “Quando a pessoa
se relaciona no mundo físico – em casa, na escola, no trabalho, ou até
mesmo na igreja – ela é obrigada a se enquadrar e respeitar esses
ambientes, sendo até obrigada a revelar o que ela é. No mundo virtual,
isso não é necessário.” A especialista lembra que o ser humano é
muito complexo. “Na verdade, nós somos três pessoas: aquela que
realmente somos, aquela que nós queremos que os outros vejam em nós, e
aquela que nós imaginamos ser. Num ambiente familiar, os outros percebem
muito facilmente quem nós realmente somos. No contato virtual, o
indivíduo pode criar para ele o personagem que desejar”, acrescenta
Daysi. Especialistas e educadores são unânimes ao afirmar que os
pais precisam acompanhar todas as reações das crianças. Qualquer
alteração ou resposta que fuja de um padrão, principalmente de forma
repetida, merece ser verificada atentamente. Dependendo da situação, é
aconselhável até buscar ajuda de um profissional. Outro procedimento
muito recomendado agora na chamada “Era Digital” é monitorar o que os
filhos estão acessando na internet. “A grande rede, ao mesmo tempo em
que oferece cultura, abre os horizontes do conhecimento humano e encurta
distâncias, entre outras vantagens, despeja dentro dos lares muitas
informações desnecessárias, que não acrescentam nada na formação de uma
criança ou jovem. É importante para a família manter um diálogo com os
menores sobre o que é construtivo e positivo na web”, conclui a
psicanalista Daysi Rezende.
Vale a pena ler e refletir
nestes tempos de frieza e falta de humanidade, tempos
"bicudos"... Decisão do Desembargador José Luiz
Palma Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num
Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um
Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça
Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser
atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização
contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais
danos morais decorrentes do falecimento do pai. Por não ter condições
financeiras para pagar custas do processo, o menor pediu a gratuidade
prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo
não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado
no processo por "advogado particular". A decisão proferida pelo Tribunal
de Justiça de São Paulo a partir do voto do Desembargador Palma Bisson é
daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por
todos os que militam no Judiciário. Transcrevo a íntegra do voto:
“É o relatório. Que sorte a sua, menino, depois do azar de
perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem
ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de
sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do
distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber
a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar
a sua fortuna. Aquela para mim maior, aliás, pelo
meu pai - por Deus ainda vivente e
trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele
em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de
trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que
cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas
que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os
que nestes vêem apenas papel repetido. É uma plaina que faz lembrar,
sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e
tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem
existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina
de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do
pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina. Desde
esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a
certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos.
São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José,
pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a
pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é
sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no
Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome
habitava, sinal de pobreza exuberante. Claro como a luz, igualmente,
é o fato de que você, menino, nos pedir pensão de apenas um salário
mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue
ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de
sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres. Por conseguinte um
deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar
contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou
inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes
e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas,
deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca
quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca
cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em
riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me
proporcionou. Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve
procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro
grosso dos preconceitos... Enfim, menino, tudo isso é para dizer que
você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso,
grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir. Fica este
seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de
definitiva, a antecipação da tutela recursal. É como marceneiro que
voto.
JOSÉ LUIZ PALMA BISSON -- Relator Sorteado”
São
Magistrados como esse, que nos faz continuar acreditando na Justiça...
Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra
“idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era
impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a
ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”. Pensei: “roubaram
a velhice”. As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam –
dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se
testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da
juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja
atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” –
ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa
do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos
sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida
inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também
no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse
o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira
idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e
familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que
estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O
mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como
se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos,
também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura,
duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma
escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um
programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse
que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque
afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero
viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro
achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a
imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora
circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é
claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma
obviedade que não nos leva a lugar algum. Que ninguém quer morrer, todo
mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso
medo sem que aprendamos nada que valha a pena.
A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a
minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer
de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e,
nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor.
Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu
querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos
outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque
o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante
perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha
última chance de ser curiosa.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui
localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do
nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a
morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que
nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da
proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade
em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é
perder valor. Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na
linguagem.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa
casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor
idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem
intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua. O que fazem é
arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando
as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta
confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na
linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra
banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que
diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera,
velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele
que já foi. Velho é – e está. Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma
Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou
um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela
língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa
sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se
adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam
fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas
ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar.
Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que
velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos
morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um
livro chamado “O idoso e o mar”? Não. Como idoso o pescador não lutaria
com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do
conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma
aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que
velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a
ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem. O tal do “espírito
jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a
ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem
estão falando. Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em
uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia
antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos
20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero.
Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei
de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me
levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez
mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo
bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais
frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as
memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as
pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais
divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu
espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha
alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar
aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências.
Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na
juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para
saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas
dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos
buscar. É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a
velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à
cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a
viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer
uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a
palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para
arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei
honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo,
testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar
com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha
travessia com a graça de um espanto.
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.