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sábado, 5 de maio de 2012

Cuidados que devem ser tomados com as baterias de Notebook


" Para colocar a bateria ou remove-la, o notebook deve estar desligado, inclusive a fonte deverá estar desconectada do notebook.
Após efetuar a troca, reconectar a fonte e ligar normalmente o notebook."  "O primeiro passo ao receber a bateria, será colocá-la no notebook, mesmo que apareça a informação de que a bateria já esta carregada. Deve deixar carregando por 8h a 12hrs.



Cuidados que devem ser tomados com as baterias de Notebook

A vida útil das baterias recarregáveis é medida através de ciclos de cargas, que variam em torno de 500 a 800 ciclos, dependendo do modelo da bateria.
Todas as vezes que ligamos o notebook sem o  conversor AC/DC à energia elétrica, com a bateria instalada, é gasto um ciclo de vida útil da bateria, não importando o tempo ao qual o equipamento ficou ligado, um ciclo de vida útil da bateria já foi consumido.
Para evitarmos o desgaste prematuro das baterias, devemos sempre utilizar a bateria do equipamento até o final da carga, e quando o equipamento sentir que a carga da bateria está baixa, ele irá avisar emitindo sons característicos, acendendo luzes, ou de alguma outra forma característica de acordo com cada marca e modelo de Notebook. Devemos atentar para a carga da bateria, esta deve ser feita de uma forma contínua, sem interrupções, ou seja, se a bateria gasta duas horas para ser carregada, ela deve ficar conectada à rede elétrica por duas horas, consecutivas e ininterruptas. Estas informações devem ser verificadas no manual do usuário do equipamento ( notebook ).
Antes de utilizar as baterias novas, devemos fazer a carga inicial, para que elas tenham longa duração e grande autonomia. Este procedimento é feito da seguinte forma: coloca-se a bateria nova no equipamento, liga-se o equipamento na rede elétrica, deixe-o carregar a bateria por 8h, não importando ai o comunicado do equipamento de que a bateria já esta carregada, após este período de carga, devemos desconectar o equipamento da rede elétrica, e utilizar o Notebook até que a carga da bateria chegue ao final, neste caso não há necessidade de ser contínuo, pode haver interrupções. Quando a carga da bateria chegar ao final, devemos carregá-lo por mais outro período de 8h. Este procedimento deverá ser repetido por cinco vezes, e após isto, podemos utilizar o equipamento normalmente.

Obs: lembramos que é recomendado utilizar o notebook utilizando a energia da bateria, pelo menos, uma vez por semana, se a bateria ficar por um longo período sem utilização, as células podem ficar danificadas.

Recicle, seja conciente
"As pilhas e baterias, quando descartadas em lixões ou aterros sanitários, liberam componetes tóxicos que contaminam o solo, os cursos d'água e os lençóis freáticos, afetando a flora e fauna das regiões circunvizinhas e o homem, pela cadeia alimentar."


Via BTR INFO

Las tres gracias en la historia del arte



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pai filma a filha todos os dias por 12 anos e faz vídeo curioso

Ele filmou a filha todos os dias por 12 anos. Depois, compilou as imagens para fazer um vídeo bem curioso. Via Page Not Found

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Dependência das amizades virtuais

Muitos especialistas vêm debatendo os casos das pessoas que preferem se relacionar virtualmente, esquecendo o mundo real. Essa discussão está avançando em diversas frentes no segmento acadêmico e na área da saúde. Os números preocupam porque as estimativas apontam que 10% da população brasileira tem esse tipo de dependência.
Para o psicólogo Cristiano Nabuco de Abreu, essa preferência faz parte de um quadro ainda maior, que é a dependência da internet. “Os indivíduos que apresentam uma dificuldade ou deficiência, classificada como um transtorno (depressão, fobia social ou transtorno bipolar do humor), têm uma predisposição a se refugiar no mundo virtual. Utilizam esse ambiente como uma forma alternativa de vida. Nisso se desenvolvem algumas consequências como, por exemplo, a preferência por relacionamentos virtuais. Dependendo de cada pessoa, o quadro pode ser grave ou simples de ser revertido, sem maiores problemas”, esclarece.
Nabuco, que também coordena projetos do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (Amiti), do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), revela que essa dependência é mais preocupante entre os jovens. “Quando analisamos os adolescentes ou indivíduos até 21 anos, verificamos que a região do lobo frontal no cérebro, que inclui o córtex pré-frontal, responsável pelo controle dos impulsos, onde se dá a decisão de fazer ou não fazer alguma coisa, não está completamente desenvolvida. Por isso, naturalmente são mais vulneráveis e propícios a apresentar quadros mais graves de dependência”, declara.
O perfil desse indivíduo se encaixa naquele tipo que prefere ficar conectado na grande rede, em jogos ou sites de relacionamento. “Agora é bom esclarecer que não existe problema em acessar a internet. Ela é a ponta do iceberg. Um agente que facilita no diagnóstico de um quadro. Quando o indivíduo se refugia na grande rede, ele já apresenta um problema psiquiátrico, conforme descrevemos acima, ou um problema psicológico”, revela Cristiano.

Outra personalidade

Mesmo aquelas pessoas que têm uma vida normal no mundo físico podem procurar o mundo virtual (a internet) para manifestar outro lado da sua personalidade. A psicanalista e teóloga Daysi Rezende diz que existem indivíduos que não mostram exatamente aquilo que são. “Quando a pessoa se relaciona no mundo físico – em casa, na escola, no trabalho, ou até mesmo na igreja – ela é obrigada a se enquadrar e respeitar esses ambientes, sendo até obrigada a revelar o que ela é. No mundo virtual, isso não é necessário.”
A especialista lembra que o ser humano é muito complexo. “Na verdade, nós somos três pessoas: aquela que realmente somos, aquela que nós queremos que os outros vejam em nós, e aquela que nós imaginamos ser. Num ambiente familiar, os outros percebem muito facilmente quem nós realmente somos. No contato virtual, o indivíduo pode criar para ele o personagem que desejar”, acrescenta Daysi.
Especialistas e educadores são unânimes ao afirmar que os pais precisam acompanhar todas as reações das crianças. Qualquer alteração ou resposta que fuja de um padrão, principalmente de forma repetida, merece ser verificada atentamente. Dependendo da situação, é aconselhável até buscar ajuda de um profissional.
Outro procedimento muito recomendado agora na chamada “Era Digital” é monitorar o que os filhos estão acessando na internet. “A grande rede, ao mesmo tempo em que oferece cultura, abre os horizontes do conhecimento humano e encurta distâncias, entre outras vantagens, despeja dentro dos lares muitas informações desnecessárias, que não acrescentam nada na formação de uma criança ou jovem. É importante para a família manter um diálogo com os menores sobre o que é construtivo e positivo na web”, conclui a psicanalista Daysi Rezende.
Via Teresa Santos

terça-feira, 1 de maio de 2012

Decisão de um Desembargador sobre a negativa de grtuidade a um menor

Vale a pena ler e refletir nestes tempos de frieza e falta de humanidade, tempos "bicudos"...
Decisão do Desembargador  José  Luiz  Palma  Bisson, do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferida num Recurso de Agravo de Instrumento ajuizado contra despacho de um Magistrado da cidade de Marília (SP), que negou os benefícios da Justiça Gratuita a um menor, filho de um marceneiro que morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta. O menor ajuizou uma ação de indenização contra o causador do acidente pedindo pensão de um salário mínimo mais danos morais decorrentes do falecimento do pai.
Por não ter condições financeiras para pagar custas do processo, o menor pediu a gratuidade prevista na Lei 1060/50. O Juiz, no entanto, negou-lhe o direito dizendo não ter apresentado prova de pobreza e, também, por estar representado no processo por "advogado particular". A decisão proferida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a partir do voto do Desembargador Palma Bisson é daquelas que merecem ser comentadas, guardadas e relidas diariamente por todos os que militam no Judiciário.
Transcrevo a íntegra do voto:


“É o relatório.
Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar. Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás,  pelo  meu  pai  -  por  Deus  ainda  vivente e trabalhador - legada, olha-me agora. É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido.
É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos. São os marceneiros nesta Terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era. Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante. E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, nos pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer. Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular. O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico. Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo? Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal. É como marceneiro que voto.

JOSÉ LUIZ PALMA BISSON -- Relator Sorteado”


São Magistrados como esse, que nos faz continuar acreditando na Justiça...

A velhice sofreu uma cirurgia plástica na linguagem - Eliane brum


Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”.  Pensei: “roubaram a velhice”.  As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.

Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum.  Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.
A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor.  Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua.  O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está.  Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”?  Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem.  O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando.  Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar.  É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto.

Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê
 (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.



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