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quinta-feira, 7 de março de 2013

Beatles forever. 10 mil pessoas na Trafalgar Square

Beatles forever Uma empresa de telefonia móvel inglesa promoveu essa mobilização na Trafalgar Square, em Londres, reunindo mais de 10 mil pessoas. Simplesmente mandou um convite pelo celular: "Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito. Os que foram, acharam que iam dançar, como tem acontecido em outras mobilizações desse tipo. Mas, na hora, distribuiram microfones. Muitos, muitos, muitos mesmo, e fizeram um karaokê gigante, de surpresa!!! E todo mundo que estava na praça, quem estava passando, quem nem sabia do convite, cantou junto. Se você um dia curtiu os Beatles, vai gostar...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Golfinho pede ajuda ao mergulhador

Um grupo de mergulhadores que realizava um mergulho noturno em Kona no Hawaii, para observar arraias mantas, teve uma surpresa inesperada, um golfinho se aproximou de um dos mergulhadores (Keller Laros ) e calmamente mostrou sua nadadeira lateral, onde uma linha de pesca com um anzol estavam enroscados e ferindo o animal. Keller entendeu o pedido de ajuda e começou a soltar o golfinho que se manteve parado e tranquilo enquanto seu salvador o libertava. Eles conseguiram tirar a linha, mas não o anzol, mas devolveram mobilidade ao golfinho. O golfinho voltou depois para pedir que tirassem o Anzol, o que eles depois conseguiram. Veja no vídeo capturado por outro membro do grupo a mergulhadora Martina S. Wing, esse emocionante resgate, mostrando que os golfinhos são tão inteligentes a ponto de saber como pedir ajuda a outra espécie. – usar resolução máxima.

terça-feira, 5 de março de 2013

A mãe de Naná - Nadia Fóes


Ela sempre foi uma pessoa determinada. E não permitia afrouxamentos. Não era de se esperar de sua progenitora um temperamento tão arredio. Sua família era abastada. Seu pai teve o controle de imprensa nas mãos. Como não poderia deixar de ser sua governanta era inglesa. Aprendeu música, conhecia a história da Grécia antiga e sabia tudo sobre o império romano. Sua cultura geral era vastíssima. Era uma jovem bonita e muito inteligente e moderna. Casou cedo, já sabendo o que desejava da vida e do casamento. Seu marido era banqueiro como fora seu avô e seu pai. O casal teve três filhos, duas meninas e um menino. Era uma época em que as mulheres circulavam pela alta sociedade. A mãe da mãe de Naná montou a boutique mais badalada dos anos sessenta e Carnaby Street era a sua referencia fashion, o berço efervescente do movimento swiming. London, que ficou mundialmente conhecida por abrigar originais lojas de música e boutiques como o atelier da estilista Mary Quant, inventou a mini-saia. Sem dúvida a avó de Naná era vanguardista. A mãe de Naná era a segunda filha, era uma menina muito tímida, dizia que moda não era com ela, porém entendia muito bem de moda, só não era adepta, porque só usava uniforme escolar. Estudava em regime de semi internato. Se não estava no colégio, estava agarrada à saia da mãe. Quando completou doze anos era tão retraída que ganhou sua primeira máquina fotográfica, ficou tão encantada que passou a fotografar tudo e se aprimorou, fez estágio no estúdio de famoso fotógrafo da época. Já de posse de uma máquina fotográfica e ninguém segurou mais a menina. Nos desfiles de moda de sua mãe ela já fazia desde a iluminação à cobertura fotográfica com direito a créditos. Passou a viajar com sua mãe para abastecer as boutiques. Não perdia um lançamento de moda. Tornou-se braço direito de sua mãe. Certa ocasião sua mãe encomendou um vestido de alta costura de renomado costureiro. Seu motorista foi apanhar o vestido para a festa anual da mulher do chanceler do Reino Unido. Era um belo vestido, com saia em camadas e cada camada era assentada com fio de nylon para fazer flu-flu. O motorista colocou o vestido que estava em um cabide e com uma capa, no assento de trás do carro, e levou o vestido com todo o cuidado até a cobertura. Pois um dos fios ficou preso no elevador e a medida que o elevador subia o vestido se retorcia no cabide. O rapaz carregava outros pacotes que colocou no chão para ver que metamorfose era aquela. Foi aí que ele viu o fio transparente preso. Já era tarde, ele imediatamente voltou ao atelier do costureiro que acabara de sair com sua contramestre rumo ao aeroporto. Ele voltou e foi até a boutique onde a avó de Naná costumava ficar para dar conta do estrago. A avó de Naná não gostou da história porém entendeu que a culpa não foi do motorista e sim do costureiro que não colocara o vestido dentro de uma caixa como era de costume. O vestido era para ser usado com um magnífico colar de esmeraldas e diamantes. Pois Naná foi com a sua mãe pára a sala de costuras da boutique e escolheu um dos vestidos que estavam nas araras à espera do próximo desfile, que seria dentro de poucos dias. Naná escolheu um vestido roxo de Jersey modelo que elas trouxeram na última viagem à Europa. O vestido era um modelo transpassado com ousado decote em V, que Naná fez sua mãe usar nas costas, e ainda teve a ousadia de fazer sua mãe usar sapatos verdes com carteira igual. O vestido serviu para ressaltar as lidas jóias de sua mãe que foi capa de badalada revista de circulação nacional. A mãe de Naná, como jovem bonita, só foi descoberta no seu baile de debutante. Ela foi a debutante mais bela, passou a ser convidada para desfilar, ela até achava divertido um desfile ou outro porém a sua paixão era a fotografia, Amava tanto fotografar que resolver ir para a França, foi morar em Paris. Sua mãe tinha uma amiga cuja filha morava em Paris e Naná herdou o apartamento onde a moça morava e mais uma estudante, moça também retraída que também estudava na renomada Sorbonne. A mocinha passava os dias lendo Balzac e algumas vezes encarnava Serafita. Chegava a passar dias só a base de frutas para encarnar melhor a personagem. Era pura fixação. A mãe de Naná fazia ponte aérea Paris-Rio até encontrar no restaurante da universidade um lindo estudante de sociologia de quem ficou amiga e Serafita conheceu um estudante de artes cênicas e os quatro passaram a sair juntos. Levavam uma vida de estudantes, freqüentavam os restaurantes do Quartier Latin, o bairro dos estudantes com pouco dinheiro. Dois anos depois Serafita terminou o curso, e foi para os Estados Unidos com o seu namorado. A mãe de Naná já estava namorando firme e trouxe o namorado para conhecer os seus familiares. Os pais do pai de Naná na época viviam na Espanha. A mãe de Naná engravidou e casaram. Eles eram jovens belos e inteligentes e foram adotados como mascote de intelectuais famosos e todos envolvidos com o jovem casal, a mãe de Naná conta que Naná fez sua estréia na vida com cenário e figurino. O casal morava em um apartamento charmoso na Rue de Sommercard, vizinhos da Sorbonne. Ela conta que o apartamento era cheio de livros e de bom gosto. Tudo ali era muito gracioso, pois foi nesta época que o pai de Naná ficou mais envolvido com os acontecimentos políticos e passou a dar palestras e a lutar contra a ditadura militar que torturava o país. Ela ajudou muita gente abrigando e encaminhando, deu muito dinheiro para ajudar seus amigos saírem do Brasil, muitos dos amigos eram jovens de família que estavam na mira. Foi quando eles vieram para o Brasil, ele dava palestras e se mantinha no anonimato para proteger Naná e sua mãe. Não procuraram os familiares, pois nesta época o pai de Naná que temia pela integridade de sua família, estava aliado á família de famoso médico que muito contribuiu com o momento em que estavam vivendo. Eram momentos de terror e o médico ajudou muita gente a sair do país. O avô de Naná que financiou muitas obras públicas teve seus bens indisponíveis. O regime era autoritário. O banco ficou anos se segurando para não quebrar e o dinheiro mudou de mãos, e tudo foi se desmoronando. O avô de Naná adoeceu, foi fazer tratamento nos Estados Unidos. Tudo graças aos negócios do avô de Naná e acabaram ficando por lá, pois o tio de Naná já morava em Boston há alguns anos. A tia de Naná, que era casada com militar da aeronáutica se afastou dos familiares para se proteger e proteger os seus. Quando o pai de Naná desapareceu Naná e sua mãe foram levados para a residência dos médicos, onde viveram sob a proteção da família. A mãe de Naná teve que viver na clandestinidade e durante anos ela cultivou o hábito de falar com Naná sobre sua vida e quanto eles foram felizes com o amado Dadou, e como carregavam aquele baú de livros, perdeu a conta que quanto os livros foram despachados, foi o presente mais importante que Dadou deu à noiva. Naná não esquece dos passeios com seu Dadou, enquanto sua mãe assistia às aulas. Eles visitavam os jardins de Luxemburgo, o Panteão, e percorriam todas as tardes o Boulevard de Saint Germain, A mãe de Naná viveu para esperar a volta do homem amado. Como disse Victor Hugo no enterro de Balzac: “ele adormeceu jovem e acordou velho”. A mãe de Naná não viu sua juventude passar. A mãe de Naná afirma que o sol nunca deixou de brilhar porque Naná é o seu sol particular. Os seis anos em que ela viveu com Dadou ela foi muito feliz. A mãe de Naná é uma avó moderna que viaja, trabalha, costuma passar longas temporadas em Londres onde tem amigos e onde suas netas estudam no Royal College of Art. Ela gosta muito de visitar a Escócia. A palavra que a mãe de Naná desconhece é rotina, ela se renova todos os dias. Foi o que ajudou a moldar o caráter de Naná. Sem dúvida Naná é a dona da história.



Restaurandora de bens culturais, pintora, escultora, ourives, Em 2010 foi classificada em concurso internacional em contos e cronicas, Três livros publicados e uma coletânea do concurso Edições AG. Mora em Florianópolis, na ilha, casada, três filhos, gosta de animais domésticos, de cultivar plantas, reunir os amigos, viajar, leitura, cinema, e a paixão de escrever.

sexta-feira, 1 de março de 2013

A longevidade é necessariamente uma coisa boa?



Alguns afirmam que obsessão com vida longa está levando a 'incapacidade prolongada'

Todos anos, aumenta o número de pessoas idosas tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento, graças às descobertas da medicina moderna para atrasar as fronteiras da morte, mas a longevidade é necessariamente uma coisa boa?
Na Califórnia, a forma física é levada a um extremo. Há lojas em Beverly Hills, local conhecido por sua obsessão com a imagem, apinhadas com comprimidos e fórmulas que visam prolongar a vida. Em Santa Monica, há tantos programas de treinamento ''boot camp'' e tantas sessões de ioga em parques públicos que autoridades locais já pensam em impor um limite.

''Uma pessoa de 55 anos imaginando que se parece com alguém de 25, se submetendo a cirurgias e se exercitando fanaticamente para que isso aconteça, tudo isso me parece uma má ideia. A obsessão em parecer mais jovem do que você realmente é."''Na Califórnia, você passa se exercitando às 5h15 e isso ou faz bem a eles ou faz parte de uma psicose neurótica séria na qual eles estão infelizes porque estão ficando mais velhos'', afirma Ed Saxon, que produziu o filme Fast Food Nation, em 2006.
Além da loucura em torno da forma física, existem os conselhos incessantes em torno do que se deve comer para se permanecer jovem. Eu deveria tomar mirtilo, couve batida ou comer torrada sem glúten? E vinho tinto faz bem para mim ou não? E quanto a chocolate?
Pode ser desconcertante, mas o objetivo é claro. A morte tem de ser adiada o máximo possível.
Incapacidade prolongada
''Nos Estados Unidos, se assume como fato que a longevidade é algo bom'', afirma Susan Jacoby, autora do livro Never Say Die (Nunca Diga Morrer, em tradução literal).
''Muito dessa crença irracional de que há coisas que você pode fazer para se assegurar contra a velhice e a doença tem a ver com o fato de que nós, nos Estados Unidos, realmente não gostamos de envelhecer'', comenta a escritora.
Jacoby, de 67 anos, faz duras críticas ao que chama de ''lixo sobre estilo de vida'' e ''lixo de suplementos alimentares''.
''Se você for olhar com mais atenção para essas pessoas que te dizem que você pode ser uma pessoa saudável aos 120, existe um homem ou uma mulher vendendo alguma coisa'', comenta.
A verdade, diz a autora, é que a maior parte das pessoas que vivem além dos 90 irão morrer após passar ''um período prolongado de incapacidade''.
''Nós estamos acreditando nesse mito de que como estamos atualmente mais saudáveis do que nunca aos 67 anos, estaremos assim também aos 87 ou aos 97. Mas a verdade é que graças a alguns avanços duvidosos da medicina moderna, que mantém pessoas vivas não importa o quê, é que será preciso refletir mais sobre como cuidar dessas pessoas.''
"
Em 1980, James Fries, professor de medicina da Universidade de Stanford, anteviu uma sociedade em que doenças crônicas seriam adiadas e reduzidas. Nessa sociedade, pessoas levariam vidas saudáveis e morreriam de forma relativamente rápida, reduzindo a quantidade de deficiência e incapacidade.
Fries chamou a isso de ''morbidez comprimida'' e seu trabalho foi creditado como o marco das origens do paradigma moderno para se envelhecer de forma saudável.
O problema é que é mais fácil aconselhar pacientes sobre como prolongar suas vidas saudáveis do que reduzir qualquer período de saúde em declínio.
Boa morte
Joseph e Anne Gias são um casal saudável na faixa dos 60 anos, mas eles se preocupam com os percalços da velhice. ''Não quero passar dos 80. Eu creio que entre os 80 e os 85 as pessoas se deterioram muito. Já vi muita deterioração nessa faixa etária e não quero que isso aconteça comigo'', afirma Anne.
A despeito dos temores de Anne, há exemplos de pessoas que levaram vidas longas e saudáveis. Quando Besse Cooper morreu em dezembro do ano passado, aos 116 anos, ela era a mulher mais velha do mundo.
De acordo com relatos, ela estava com uma saúde incrível e nunca se queixou de dores. Ela levava uma vida ativa e se recusava a comer ''porcarias''.
No seu último dia de vida, ela comeu um generoso café da manhã, fez o cabelo e viu um vídeo de Natal com amigos.
Besse morreu em paz à tarde, após ter sofrido problemas respiratórios. Ela é um raro, mas bom exemplo da morbidez comprimida, a que se referia James Fries - uma vida longa e saudável e uma boa morte.

Peter Bowes
BBC News, Los Angeles.

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