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domingo, 27 de setembro de 2015

Os órfãos da educação - Isaac Roitman


Cada vez mais os meios de comunicação noticiam as diferentes formas de violência do cotidiano. No Brasil, a questão da violência, sobretudo os homicídios, tem levado setores da sociedade a questionar o papel das instituições no que diz respeito à proteção e à transmissão de valores morais e éticos das crianças e adolescentes. A violência, em seus variados contornos, é um fenômeno histórico na sociedade brasileira. A escravidão iniciada com os índios e, depois, com a mão de obra africana, a colonização mercantilista, o coronelismo, as oligarquias, a violência urbana e doméstica, o tráfico de drogas, a impunidade, o autoritarismo burocrático do Estado, contribuíram enormemente para o aumento da violência.
Os erros cometidos nas políticas econômicas e a crise ética que comprometem a dignidade e o bem-estar do segmento mais pobre de nossa sociedade podem ser também considerados uma forma de violência. A solução para a questão da violência no Brasil envolve os mais diversos setores da sociedade, não só a segurança pública e um Judiciário eficiente, mas também demanda, com urgência, profundidade e extensão, a melhoria dos sistemas educacional, de saúde, habitacional, bem como oportunidades de emprego, entre outros fatores.
O que se espera de um país que ocupa o oitavo lugar no planeta em número de analfabetos adultos? Temos 14 milhões de adultos que não sabem ler nem escrever, sem contar os chamados analfabetos funcionais. Eles são cegos sociais porque não conseguem decodificar o código escrito ao seu redor. Entre outras dificuldades, eles não conseguem ler o destino dos ônibus, a bula dos remédios, o cardápio das lanchonetes e até mesmo o que está escrito na bandeira brasileira. Eles podem ser considerados como órfãos da educação, pois não tiveram oportunidade de se alfabetizar no sistema educacional ou nunca tiveram oportunidade de frequentar uma escola. Os delinquentes juvenis confinados nas unidades socioeducativas, verdadeiras escolas do crime, também são vítimas dessa orfandade.
A esse grupo se somam os jovens sem convívio familiar, expostos ao abuso de droga ou em situações marginais. A prevenção da delinquência juvenil requer esforços por parte de toda a sociedade para assegurar as oportunidades educacionais a todas as crianças, visando um desenvolvimento harmonioso, com respeito e promoção da sua personalidade, desde a mais tenra idade.
A prioridade é construir um sistema educacional que promova o ensino dos valores fundamentais e o respeito pela identidade e tradições culturais da criança e pelos direitos e liberdades do ser humano. Nesse sistema, é fundamental a promoção e o desenvolvimento da personalidade cidadã e o estímulo às aptidões e capacidades físicas das crianças e adolescentes. Para construir o novo sistema educacional, é preciso preparar grande contingente de professores que possam educar as crianças e jovens do século 21. É importante que essa preparação seja considerada prioridade, principalmente, nas universidades públicas. Para atrair as melhores cabeças de egressos do ensino médio, será fundamental que o professor seja valorizado dentro de uma carreira que estimule de forma contínua a qualidade de seu trabalho.
Os conteúdos deverão ter revisão permanente e ser adequados para o preparo dos estudantes para a vida e para o trabalho. As escolas deverão ser locais agradáveis e equipadas com bibliotecas e recursos modernos da tecnologia de informação e comunicação. Em vez de chata, a escola tem de ser local prazeroso. A avaliação deve ter como principal objetivo a melhoria da aprendizagem. A gestão deverá ser feita de forma profissional com gestores com formação adequada. A interação da escola com a família deverá ser permanente.
Se tivermos a coragem e a determinação de ter uma política de Estado para que tenhamos uma educação de qualidade para todas as crianças e jovens brasileiros, estaremos livrando-os da orfandade. Nesse contexto, é pertinente lembrar o pensamento do filósofo francês Étienne Bonnot de Condillac que dizia: “O verdadeiro órfão é aquele que não recebeu educação”. Oxalá, possamos, em pouco tempo, eliminar essa orfandade no nosso país.
Professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências
(Correio Braziliense)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Faixas de Pedestres - Faixas criativas

01 – Espinha de peixe

02 – Caixinha de batatas do McDonald’s

03 – Teclas de piano

04 – Código de barras

05 – Pente

06 – Barras 3D

07 – Mais ilusão 3D

08 – Zíper

09 – Faixa exclusiva

10 – Esteira rolante

11 – Nos trilhos do trem

12 – Ilustração anamórfica do Snoopy

13 – Pezão

14 – Amarelinhas com diversas pegadas

15 – Pintada com corretivo líquido

16 – Sr. Limpeza

17 – Prisão

18 – Contando nos palitinhos (campanha de conscientização)

19 – Partitura musical

20 – Velas acesas

21 – Cercada com arame farpado

22 – Listras de zebras (campanha publicitária sul-africana para um safári)

23 – Novelo de lã

24 – Arco-íris

25 – Pescando com rede

Via: Sergio Simões

sábado, 18 de abril de 2015

Como surgiu o Vibrador - uma história e tanto

Ao final do século XIX, vivíamos uma das épocas culturalmente mais florescentes. Havia Brahms e Mahler, Thomas Mann e Kafkaeram crianças, Dostoiévski e Tolstói produziam como nunca e, prova da inteligência daquele tempo, a histeria era considerada uma doença exclusivamente feminina

Transcorria o ano de 1880 e cansado de tanto masturbar manualmente as suas pacientes, o doutor Joseph Mortimer Granvillepatenteia o primeiro vibrador eletromecânico com forma fálica.


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Modelo manual Woody

Durante o século XIX, a massagem clítoriana era considerado o único tratamento adequado contra a histeria, de maneira que centenas de mulheres iam ao médico para que tivessem a zona massageada e induzidas a um "paroxismo histérico", hoje conhecido como orgasmo.
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Mod. manual - Dr. Johansen's

histeria, suposta doença que os gregos tinham descrito como "útero ardente", converte-se numa espécie de praga entre as mulheres da época. Qualquer comportamento estranho "ansiedade, irritabilidade, fantasias sexuaisera considerado como um claro sintoma e a paciente era imediatamente enviada para receber uma massagem relaxante.


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Mod. Manual Vibro-Life

No final do XIX a quantidade de mulheres que vão à consulta é tal, que os médicos já estão com problemas de LER (Lesões por esforço repetitivo) nas mãos e pulsos e então começam a inventar todo tipo de artefatos que lhes poupe o trabalho.

Normalmente eram bastões de plástico com um mecanismo bastante complexo, deixando o produto muito pesado e de difícil manipulação.


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Mod a bateria - Ash Flash


 Mesmo assim a variedade de vibradores daquela época é absurda, muitos modelos funcionavam com energia elétrica, outros combaterias ou gás ou água, inclusive foram desenvolvidos alguns que funcionavam a pedal. E os aparelhos tinham velocidades que variavam de 1.000 a 7.000 pulsações por minuto.



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Mod. Manual - Macaura's blood circulator



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Mod. elétrico - Golden-Glo Vitalator

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Mod. a ar comprimido - Chas a Cyphers


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Mod. a bateria - White Cross


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Devido a grande procura e quantidade, os preços logo começaram a ser compatíveis para uso doméstico e deixaram de existir somente nos consultórios médicos. E foram os primeiros aparelhos de uso pessoal a serem introduzidos em casa, precedendo o secador de cabelos e o aspirador de pó.


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Giro-Lator

Modelos como o "Barker Universal", o "Gyro-Lator" ou a "Miracle Ball" começam a ser comercializados através dos jornais de tiragem nacional.

Vibradores de uso portátil

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Baker Universal


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Miracle Ball

- "A vibração é a vida".
 Diziam alguns anúncios.


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- "Porque você, mulher, tem o direito a não estar doente".

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Era o principal mote de muitos catálogos femininos onde o vibrador era publicitado como "instrumento para a tensão e ansiedade feminina". Seu uso era promovido como uma forma de manter às mulheres relaxadas e contentes.



- "A vibração proporciona vida e vigor, força e beleza".

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 - Ou ainda:


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  "O segredo da juventude foi descoberto na vibração".


Sua comercialização chegou a tal extremo que alguns modelos incluiam um adaptador que convertia o vibrador numa batedeira de bolo.
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Mod. elétrico - Try New Life


Pense ao que isso possa parecer hoje, naqueles anos a aplicação do vibrador sobre o clítoris era tida como uma prática exclusivamente médica.
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Mod. elétrico - Vibro Eletra

Na chamada Era Vitoriana, não era considerado ato sexual.
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Mod. elétrico - Rolex
Os problemas, os tabus e a grande "sacanagem" que quase todos imaginamos hoje em dia ao ler este texto, começam mais tarde, a partir de 1920, pois foi a partir deste ano que os médicos abandonaram o uso do vibrador em seus consultórios pois eles começaram a aparecer em filmes pornográficos.

E, neles, as “atrizes” curavam sua histeria frente as câmaras. Os filmes fizeram com que o vibrador ficasse estigmatizado como coisa de mulheres da vida, nenhuma mulher fina ou mãe de família poderia ter uma histeria tranquila sabendo que a rameira da esquina fazia uso do mesmo instrumento.

Nos anos seguintes, a venda de vibradores foi então disfarçada sob formas de discutível sutileza.
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Imagine a felicidade daquela esposa que, tendo recebido um aspirador de pó como presente de aniversário de seu marido, se deparasse com a panacéia ao abrir a caixa.


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A partir desse momento, o vibrador começou a perder sua imagem de instrumento médico e nos finais dos anos 60, início da "queima dos sutiãs", quando estudos revelaram a importância do orgasmo pela estimulação direta no clitóris, o vibrador se popularizou como um aparelho sexual fundamental para a mulher.

Daí, veio a primeira grande mudança, agregar ao bastão uma capa de silicone ou látex, dando ao produto novos formatos e cores e proporcionando um contato muito mais agradável a pele.

Em seguida, com a evolução tecnológica, micro motores foram desenvolvidos aliados a baterias mais leves e duradouras, reduzindo o peso dos produtos e criando vários tipos de vibração para estimular ainda mais a região pubiana.
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Este acima, foi recentemente lançado pela empresa Canden Enterprises, "Earth Angel", o primeiro vibrador ecológico.

Este é o primeiro aparelho do género a funcionar sem pilhas e ativa-se graças a um mecanismo que utiliza uma manivela (voltamos aos anos 20) para carregar. A empresa assegura que com apenas quatro minutos usando a manivela, o aparelho funcionará durante 30 minutos.