Siga o Blog do Oracy

Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CIÊNCIA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Stephen Wiltshire, o homem da supermemória

Publicado por Fantático
Se você sobrevoasse uma das maiores cidades do mundo, de que detalhes, mais tarde, seria capaz de se lembrar? De que prédios, pontes, catedrais? Quantas imagens ficariam realmente gravadas na sua memória?
Stephen Wiltshire é um homem que tem uma incrível habilidade, um talento ainda não explicado pela ciência. Ele acaba de fazer um rápido sobrevôo pelo centro de Londres. É a primeira vez que ele tem essa vista aérea.
Stephen dispõe apenas de um lápis, uma caneta e uma folha de papel. Três horas depois, o resultado: ele se lembrou de detalhes espalhados por quase 12 quilômetros quadrados. O desenho contém os pontos mais conhecidos da capital inglesa e outros 200 edifícios, todos em perspectiva e escala.

Stephen é fascinado por arquitetura e tem uma habilidade raríssima: é capaz de olhar para um prédio como a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, e memorizar detalhes que uma pessoa comum capaz jamais iria guardar. É como se tirasse foto com os olhos. Depois, a imagem do prédio é arquivada numa supermemória e passada para o papel.
"Eu não tenho idéia de como Stephen faz isso", afirma Margaret Hewson, uma agente literária que descobriu o talento do rapaz há quase 20 anos. "Ele pode olhar para um prédio com 145 janelas e reproduzir as 145 janelas".
Até os 11 anos de idade, Stephen nunca tinha tido aulas de desenho. E o menino conseguiu captar detalhes do Museu de História Natural de Londres. Na época, a habilidade de Stephen impressionou o então presidente da Real Academia de Arte da Inglaterra. "Eu nunca vi um talento igual", disse ele.
Mas Stephen já convivia com severas limitações. Aos 11 anos, ele tinha um ritmo de aprendizado de uma criança de apenas 6.
"As limitações eram enormes", lembra Margaret. "Ele não era capaz de fazer nada sozinho. Para atravessar a rua, precisava de ajuda. Não conseguia se relacionar com os outros de maneira nenhuma". Stephen parecia viver em outro mundo. Sinal clássico de uma pessoa autista.
Que dia da semana foi 31 de agosto de 1985?
"Sábado", responde David Kidd, conhecido como o "Calculador de Calendário." Ele é capaz de dizer o dia da semana de qualquer data dos últimos cem anos.
Que dia da semana foi 17 de dezembro de 1974?
"Terça-feira", afirma.
Consultando tabelas, um matemático levou 16 segundos para confirmar que David estava certo.
"Henriqueta Brieba morreu no dia 18 de setembro de 1995; Costinha, no dia 15; e Paulo Gracindo, no dia 4. Tudo num mês só. Zacarias morreu no dia 18 de março de 1990. Mussum, no dia 29 do julho de 1994", lembra o vaqueiro Onildo.
E como explicar a memória de Onildo, mostrado no Fantástico em 1998? Morador do sertão da Paraíba, ele sabe de cor a data da morte de pessoas famosas e de gente conhecida da vizinhança. A memória do vaqueiro ainda tem espaço para muita informação. Onildo decorou os nomes científicos das plantas da caatinga.

"Eu não sei o que ele tem na memória. Ele grava uma coisa e fica", diz José Alves, irmão de Onildo.
O ator Dustin Hoffman estudou vários casos de pessoas com habilidades especiais antes de iniciar as filmagens de "Rain Main". As habilidades de Raymond são típicas de quem tem a Síndrome de Savant, um tipo de distúrbio mental. Este é o diagnóstico de Stephen Wiltshire.
"Os cientistas estão fascinados porque, de um lado, você tem um significativo prejuízo mental e, por outro, um mistério surpreendente que inspira talento", diz Margaret.
Mas qual é a causa dessas habilidades extraordinárias? O que explica a supermemória de um ser humano? A ciência ainda parece longe de chegar às respostas.

Na semana que vem você vai ver o que a ciência já sabe sobre essas pessoas e suas incríveis habilidades. E vai conhecer também a história de Derek Paravicini: autista e cego, mas dotado de um talento especial para a música.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A rede social da genética - Pedro Dória

Pela linhagem materna, meu haplogrupo é o K1a1b1. Isso quer dizer que traçando uma linha reta pela árvore genealógica, incluindo só as mulheres, mãe, avó, bisavó, trisavó e lá se vai, chegamos à matriarca, uma moça nômade que viveu há 12 mil anos, e a ciência moderna batizou Katrine. Toda população europeia descende de sete mulheres, Katrine era uma delas, daí a letra K. Meu ramo específico, este 1a1b1 após o K, veio do Tirol e se concentrou na Grã Bretanha, Irlanda e norte da Ibéria. Somos maioria na Irlanda, 5% da população portuguesa e, ora, 5% dos cariocas. Esta avó primeira da gente era a mãe de todos os celtas. Sei disso por conta de uma rede social: 23andMe.com.
É uma rede social na qual custa dinheiro entrar: US$ 299. Em troca do pagamento, a turma envia um kit que inclui um tubo com certo preservante, dentro do qual o cliente cospe. Lacrado, enviado de volta, o DNA é devidamente analisado e mapeado. Infelizmente, a legislação brasileira trata a saliva como matéria biológica que não pode deixar nossas fronteiras. Então o correio tem de ser enviado dos EUA ou da Europa para que chegue ao destinatário.
A empresa 23andMe é cria da geneticista Anne Wojcicki, mulher de Sergey Brin, um dos dois inventores do Google. Foi financiada pelo Google. E não é apenas uma das muitas empresas que mapeiam o genoma de quem quiser. O fato de se organizar ao redor de uma rede social faz toda a diferença. E, nessa toada, levanta umas tantas polêmicas.
Tornar público o código genético viola a privacidade. Mas quanto mais gente o fizer, mais avança a ciência
Saber que pela linhagem feminina direta você é celta é divertido. Astérix há de ter sido tio-avô. Mas meu mapa genético também indica que sou particularmente suscetível a doenças do sistema circulatório, que tenho duas vezes mais chances de ter câncer de próstata do que o descendente de europeu comum e que dependência química de nicotina é praticamente certa no segundo cigarro. (Neste último caso, já tinha descoberto antes.) Não por isso: também sei que minhas chances de ter qualquer outro câncer são menores do que a média e que não levarei para os filhos genes que influem em síndrome bipolar, aneurisma cerebral ou enxaqueca. Se sobreviver à próstata e à pressão alta, dizem meus genes, tenho até altas chances de passar dos100.
Nem todo mundo quer saber tanta informação sobre si. E a ideia de que dados tão pessoais nascidos de seu mapa genético se tornem públicos é desconfortável para muitos. Não apenas por pudores: se seguros de saúde começarem a cobrar pela possibilidade de uma doença futura, o custo financeiro pode ser alto.
Por outro lado, os geneticistas do 23andMe e seus clientes têm uma oportunidade única. De tempos em tempos, os cientistas fazem um novo pacote de perguntas para os usuários da rede. Perguntam coisas como qual a reação a um remédio, qual a dificuldade com determinado movimento, como reage a certa situação. As respostas, comparadas ao genoma de cada um, revelam as funções de certos genes. Quanto mais gente estiver lá, maiores os avanços esperados no futuro.
E, como é uma rede social, a lida com certas descobertas é atenuada. Sergey Brin, o marido da criadora, descobriu com o site que tem altíssimas chances de desenvolver Parkinson. O risco é atenuado por atividade física e uma dieta saudável. Por saber desde moço, se cuida. No site, encontra uma comunidade de outros que têm aquela mesma mutação no gene LRRK2 do 12 cromossoma. É quando o social da rede alivia.
Do 23andMe e similares nasceu também um imenso grupo de amadores que recolhem o mapeamento genético de pessoas em todo mundo com uma determinada característica. O gene marcador de uma doença ou o que indica uma descendência específica. São "gerentes" de um gene. Assim como astrônomos amadores que, com seus telescópios, descobrem cometas, estes geneticistas da rede ajudam a avançar a ciência. É ameaça à privacidade, mas quanto mais gente torna público seu código, mais a ciência avança.
O haplogrupo da linhagem masculina é o E1b1b1b2a. Magrebino. Berbere. Celta pelo lado da mãe, mouro invasor da Ibéria pelo pai. Vira-latas, pois. Genética é divertido. 
Fonte: Jornal O Globo

sábado, 20 de agosto de 2011

Como a idade faz nosso cérebro florescer

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI245598-15257,00-COMO+A+IDADE+FAZ+NOSSO+CEREBRO+FLORESCER.html
A ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria. A partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes
Marcela Buscato. Com Bruno Segadilha e Teresa Perosa
Ilustração: Alexandre Lucas
A partir de um certo momento da vida, que, para a maioria de nós, começa depois do aniversário de 40 anos, a grande questão neurológica se resume a uma pergunta: aonde diabos foram parar todos os nomes que eu esqueço? No início, desaparece o nome de uma atriz famosa. Depois, some o nome dos filmes que ela fez. Mais adiante, você não consegue achar no mar de neurônios o nome do famoso marido dela, muito menos o do outro ator, manjadíssimo, com quem ela contracenou em seu trabalho mais célebre. A débâcle ocorre no almoço de domingo em que você se percebe, diante da cara divertida de seus filhos, tentando explicar: “Aquele filme, com aquela atriz australiana, casada com aquele outro ator...”.
Essa, você já sabe – ou vai descobrir dentro de algumas décadas –, é a parte chata de um cérebro que bateu na meia-idade. Ela vem junto com muitas piadas e uma dose elevada de ansiedade em relação ao futuro. O que você não sabe, mas vai descobrir nas próximas páginas, é que existe outro lado, inteiramente positivo, das transformações cerebrais trazidas pelo tempo. “Conforme envelhecemos, o cérebro se reorganiza e passa a agir e pensar de maneira diferente. Essa reestruturação nos torna mais inteligentes, calmos e felizes”, diz a americana Barbara Strauch, autora de O melhor cérebro da sua vida. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Zahar, reúne argumentos que fazem a ideia de envelhecer – sobretudo do ponto de vista intelectual – bem menos assustadora do que costuma ser.
Editora de saúde do jornal The New York Times, um dos mais influentes dos Estados Unidos, Barbara resolveu investigar o que estava acontecendo com seu cérebro. Aos 56 anos, estava cansada de passar pela vergonha de encontrar um conhecido, lembrar o que haviam comido na última vez em que jantaram juntos, mas não ter a mínima ideia de como se chamava o cidadão. Queria entender por que se pegava parada em frente a um armário sem saber o que tinha ido buscar. Barbara não entendia como o mesmo cérebro que lhe causava lapsos de memória tão evidentes decidira, nos últimos tempos, presenteá-la com habilidades de raciocínio igualmente surpreendentes. Ela sentia que, simplesmente, “sabia das coisas”, mas, ao mesmo tempo, se exasperava com a quantidade imensa de nomes e referências que pareciam estar sumindo na neblina da memória. Como pode ser?
A capacidade de manter informações enraizadas em nossa
mente não sofre dano algum com a passagem do tempo
É provável que essa mesma pergunta já tenha passado pela cabeça de muitos que chegaram aos 40 anos rumo às fronteiras da meia-idade, um período cada vez mais dilatado em que podemos passar um tempo enorme de nossa existência. Com o aumento da expectativa de vida, a fase intermediária da vida, entre os 40 e os 68 anos, tornou-se uma espécie de apogeu. Nesses anos é possível aliar o vigor reminiscente da juventude à sabedoria da velhice que se insinua – desde que se saiba identificar, e abraçar, as mudanças que acometem o cérebro maduro. Ele já não é o mesmo que costumava ser. Mas as mudanças o transformaram num instrumento melhor. “Para o ignorante, a velhice é o inverno; para o sábio, é a estação de colheita”, diz o Talmude.
A jornalista Marília Gabriela, considerada a melhor entrevistadora do país, é especialista nas delícias e nos suplícios de um cérebro de meia-idade: “Eu não sei se é a idade ou se é o excesso de informações, mas eu esqueço o que as pessoas me dizem”. Aos 63 anos, Gabi, como é mais conhecida, pode até se esquecer de detalhes de conversas, mas mantém o raciocínio afiado para encurralar políticos e celebridades nos três programas apresentados por ela semanalmente. “Hoje, sou capaz de fazer análises rápidas sobre aspectos que as pessoas nem precisam me explicar”, afirma. “Leio nas entrelinhas, pego pelo olhar.”
Fotos: Victor Affaro/ÉPOCA
A nova ciência do envelhecimento, retratada por Barbara em seu livro, conseguiu decifrar o caráter das mudanças por trás dessas percepções aparentemente contraditórias. Os pesquisadores aproveitaram a popularização das técnicas de ressonância magnética – nos últimos 15 anos, o número de estudos aumentou dez vezes – para flagrar o cérebro em pleno funcionamento. Eles descobriram que, sim, há um desgaste natural das células nervosas como se pensava. Mas ele é localizado e circunscrito, assim como seus prejuízos à mente.
Um estudo feito pela equipe do neurocientista americano John Morrison, da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, analisou o que acontece com alguns pequenos botões localizados no corpo dos neurônios. Eles ajudam a captar as informações. Os cientistas descobriram que apenas um tipo desses botões sofre com o envelhecimento. São os menores, envolvidos no processamento de novas informações – onde parei o carro, onde estão as chaves ou como chama a nova namorada do meu amigo? Quase 50% desses receptores perdem a atividade. Mas outro tipo, encarregado de lembrar de grandes acontecimentos e de informações enraizadas em nossa mente, como habilidades profissionais, não sofre dano algum.
Se alguns neurônios podem ser danificados pelo tempo, há outros – até mesmo regiões inteiras do cérebro – que passam a funcionar melhor. “O raciocínio complexo, usado para analisar uma situação e encontrar soluções, é aprimorado”, diz o psiquiatra americano Gary Small, diretor do Centro de Envelhecimento da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
Aos 49 anos, o artista plástico Vik Muniz está no auge de sua carreira. O sucesso, claro, é consequência da carreira produtiva iniciada aos 20 anos. Mas as habilidades aprimoradas por seu cérebro ao longo dos anos também têm seu quinhão de influência sobre o sucesso recente. Em 2008, foi o primeiro brasileiro a organizar uma mostra no museu de arte moderna de Nova York, o MoMa. Em 2007, começou o projeto Fotografias do Lixo no Jardim Gramacho, uma comunidade de catadores de lixo no Rio de Janeiro. Muniz recriou os personagens que encontrou e produziu algumas de suas mais belas obras. O processo de trabalho foi filmado e virou o documentário Lixo extraordinário, que concorreu ao Oscar da categoria neste ano. “Agora, sou uma pessoa mais focada e objetiva. Vou diretamente aos assuntos, não tenho tempo a perder”, diz Muniz. “Em poucos minutos de conversa já sei, por exemplo, com quem conseguirei desenvolver uma relação mais íntima.”
Fotos: André Arruda /ÉPOCA
Um casal de pesquisadores comprovou o que Barbara, Gabi e Muniz sentem na prática. Os psicólogos americanos Warner Schaie e Sherry Willis, professores da Universidade de Washington, criaram em 1956 um projeto de pesquisa para acompanhar o desenvolvimento de 6 mil voluntários durante décadas. Esse tipo de estudo é o mais preciso que existe, uma vez que permite aos cientistas avaliar quanto uma pessoa amadureceu emocionalmente e quais habilidades cognitivas aprimorou.
A cada sete anos, Warner e Sherry submetiam os voluntários a uma bateria de testes de inteligência. Eles tinham de responder a questões que mediam a habilidade verbal (encontrar sinônimos para uma palavra), a memória verbal (lembrar palavras lidas em uma lista), a orientação espacial (virar símbolos e objetos), a capacidade de resolver problemas (completar sequências lógicas) e a habilidade numérica (problemas de adição e subtração).
Entre os 40 e os 60 anos, as habilidades verbal
e de resolução de problemas melhoram muito
A compilação de anos de estudo mostrou que os voluntários tiveram melhor desempenho em três habilidades – verbal, espacial e resolução de problemas – entre os 1940 anos e 1960 anos. Após esse período, havia um declínio nítido na pontuação dos voluntários. Mas cada pessoa apresentava um declínio maior em uma ou duas habilidades, nunca em todas as cinco.
No auge da vida
Pesquisadores acompanharam 6 mil voluntários por 50 anos. Descobriram que habilidades associadas à inteligência chegam ao ápice na meia-idade
   Reprodução
Fontes: Schaie, K. W. & Zanjani, F. (2006). Intellectual development across adulthood, In c. Hoare (Ed.), Oxford handbook of adult development and learning. (pp. 99-122) New York: Oxford University Press
As transformações do cérebro que explicam a melhora das habilidades cognitivas durante a meia-idade estão entre as descobertas mais interessantes da ciência nos últimos tempos. Elas revelam as origens biológicas da sabedoria trazida pela maturidade. Os cientistas descobriram que a facilidade para raciocínios complexos pode ser explicada por mudanças físicas no cérebro. A camada de mielina, um tipo de gordura que reveste as células nervosas e faz com que as informações viagem mais rápido, aumenta progressivamente com o passar dos anos e atinge seu pico por volta dos 50 anos. “No começo da vida, os circuitos motores e os encarregados pela fala recebem a maior parte da mielina”, diz o neurologista George Bartzokis, pesquisador da Universidade da Califórnia, responsável pela descoberta. “À medida que envelhecemos, os circuitos que permitem analisar contextos e que nos fazem ficar mais espertos são os que recebem mais mielina.”
Os pesquisadores também descobriram que, conforme envelhecemos, mudamos o padrão de ativação cerebral. Isso significa que acionamos áreas diferentes das usadas anteriormente para fazer as mesmas tarefas. A região frontal do cérebro, encarregada da racionalidade, passa a concentrar a maior parte das atividades. A área posterior da cabeça, onde estão algumas das estruturas ligadas a nossas respostas emocionais, é acionada com menos frequência. Outra mudança significativa: para realizar a mesma tarefa de adultos jovens (de até 30 anos), os mais velhos usam mais áreas do cérebro. Em vez de usar regiões de apenas uma metade do cérebro, passam a usar as duas. Os cientistas ainda não estão certos sobre o que essas mudanças representam. Há duas possibilidades. A primeira, menos agradável, é que o cérebro esteja ficando velho a ponto de não reconhecer mais as áreas encarregadas de cada atividade. A segunda hipótese é mais reconfortante: o cérebro pode, sim, estar ficando velho. Mas, ao redirecionar funções para áreas diferentes e para mais regiões, dá mostras de que é capaz de se adaptar e manter seu bom funcionamento.
“Não sabemos qual das duas hipóteses é verdadeira”, diz a neurocientista Cheryl Grady, pesquisadora da Universidade de Toronto, no Canadá, e uma das primeiras a notar mudanças no padrão de ativação. “Provavelmente, as duas estão certas. Para algumas tarefas, o cérebro pode perder a precisão. Para outras, pode usar mecanismos compensatórios.”
É irresistível pensar que, talvez, a superativação do cérebro, representada pelo uso simultâneo de várias áreas, possa estar por trás das melhoras de raciocínio relatadas por quem está na meia-idade – e comprovadas pelos pesquisadores. Os cientistas descobriram que um sistema muito especial do cérebro, formado por circuitos localizados em camadas profundas do órgão, está constantemente ativado nos adultos de meia-idade. O sistema, chamado de modo- padrão, é usado nos momentos de reflexão, quando pensamos sobre o que aconteceu recentemente, fazemos balanços e traçamos planos para nós mesmos. Os pesquisadores concluíram que os adultos simplesmente não conseguem desligar o modo-padrão, algo que os jovens fazem quando estão envolvidos em uma tarefa. Os adultos, mesmo quando estão concentrados, continuam o bate-papo interno com eles mesmos.
“O modo-padrão do cérebro ainda é um completo mistério”, diz a neurocientista Patricia Reuter-Lorenz, pesquisadora da Universidade de Michigan. Estar em constante reflexão pode nos tornar distraídos, mas também pode ajudar a ter boas ideias. Isso explicaria por que adultos de meia-idade têm o raciocínio afiado, embora não lembrem onde puseram a carteira.
O cérebro de meia-idade pode ganhar habilidades surpreendentes conforme envelhecemos, mas isso não acontece com todos. Os cientistas perceberam que só os adultos que sempre tiveram hábitos saudáveis e vida intelectual ativa apresentaram a superativação. Há indícios de que a prática frequente de exercícios físicos promove o nascimento de novos neurônios em uma região do cérebro associada à memória. E atividades que desafiam o cérebro, como aprender uma nova língua ou até mesmo exercícios de memória, evitam que áreas do cérebro “enferrugem”. É como se essas atividades criassem uma reserva de neurônios que pode ser usada pelo cérebro quando ele entra em declínio. “Se a pessoa conseguiu criar uma boa reserva, é provável que tenha mais mecanismos para suprir deficiências causadas pelo envelhecimento”, diz o neurologista Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo.
Adultos que têm hábitos saudáveis e mente ativa
mostram cérebro de alto desempenho na meia-idade
Há poucos anos, a meia-idade costumava ser considerada uma fase de crises, desencadeadas pela percepção dos primeiros lapsos de memória. Eles seriam sinal inequívoco da aproximação da velhice e, consequentemente, da morte. A percepção da brevidade da vida despertaria um conjunto de comportamentos chamado pelo psicólogo canadense Elliott Jaques de crise da meia-idade – sim, a famosa. Entre os sintomas descritos por Jaques no artigo de 1965 que deu origem ao termo estão “preocupação doentia com a saúde e a aparência”, “promiscuidade sexual” e “ausência de verdadeiro prazer em viver”. Esse tipo de comportamento pode ser facilmente encontrado entre pessoas de meia-idade, mas o conceito não tem base científica.
Jaques propôs sua teoria ao analisar casos de artistas que teriam mudado o estilo de suas obras após os 40 anos – um grupo pequeno e específico demais. Um dos estudos mais abrangentes a averiguar o nível de bem-estar nessa fase da vida mostrou que a maioria das pessoas se diz mais feliz do que antes. Segundo levantamento com 8 mil americanos da Fundação MacArthur, instituição privada de fomento à pesquisa nos Estados Unidos, apenas 5% dos entrevistados apresentavam reclamações. E, mesmo entre esses, a maioria já enfrentara problemas semelhantes em outras épocas – o que isentaria a culpa da meia-idade.
Aos 52 anos, o físico Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, diz ter encontrado serenidade, e não angústia. “Quando você fica mais velho, torna-se mais calmo e seguro”, afirma. Ele diz ser capaz de escolher desafios com mais critério, para concentrar tempo e energia em problemas que possa resolver. “Conhecer os próprios limites dá paz de espírito.” Os estudos de neurociência sugerem que essa pacificação interior também está relacionada a alterações do cérebro. A equipe da psicóloga Mara Mather, da Universidade do Sul da Califórnia, mostrou imagens tristes e repulsivas a voluntários maduros e a jovens. Concluiu que nos mais velhos a área do cérebro responsável pelas emoções reagia menos às figuras negativas. Concluiu que era um sistema de proteção. O cérebro parecia escolher dar menos atenção ao lado ruim da vida. Há nisso mais inteligência e sabedoria do que um cérebro jovem talvez seja capaz de perceber.
Fotos: André Arruda /ÉPOCA





reprodução/Revista Época

sábado, 21 de maio de 2011

Colonoscopia virtual, saiba as últimas novidades sobre este exame




Evandro Pinheiro é cirurgião do aparelho digestivo e falou sobre a última novidade no diagnóstico do câncer coloretal: a colonoscopia virtual. Apesar de causar menos transtornos para os pacientes e representar menos riscos, a virtual nunca substituirá a convencional.
O método “antigo” – apesar de envolver sedação e a incômoda inserção de um tubo de cerca de um metro e meio no ânus do paciente – é capaz de rastrear o intestino e, ao mesmo tempo, remover os possíveis pólipos cancerígenos encontrados.
O preparo para ambos os exames é o mesmo e consiste na limpeza do intestino grosso. Na colonoscopia virtual, o exame dura 15 minutos e a sonda fotografa trechos do intestino a cada milímetro. Depois que o paciente é dispensado, um computador junta as imagens de maneira tridimensional. No telão, foram exibidos trechos de uma colonoscopia virtual.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Impressoras em 3D recriam partes do corpo humano


Primeiro os objetos passam por um scanner virtual para depois serem reproduzidos fisicamente. Equipamento está revolucionando a produção industrial pois pode criar peças a partir de diferentes tipos de materiais como plástico, resina e alguns metais.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Astrônomo Victor D'Ávila revela detalhes sobre o comportamento do sol


Cientista conta curiosidades sobre o comportamento do sol em relação aos outros planetas.

Tragédias no Japão servem de alerta para outros países


Os acidentes nucleares ocorridos no Japão deixam muitas dúvidas sobre a segurança desse tipo de energia. Especialistas discutem riscos e aprendizados que envolvem a tragédia japonesa e alertam para mudanças mundiais na produção de energia nuclear.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Qual é o sexo do seu cérebro? Faça o teste e saiba se o seu cérebro tem o mesmo sexo que seu corpo

O cérebro humano pode ser feminino ou masculino independentemente do sexo biológico de uma pessoa. Faça o teste e saiba se o seu cérebro tem o mesmo sexo que seu corpo

As diferenças no corpo de homens e mulheres estão além da aparência e dos órgãos sexuais. A ciência detectou que até o cérebro apresenta características femininas ou masculinas. Essa diferença neurológica gera diferenças de comportamentos, sentimentos e modos de pensar entre homens e mulheres.
Você consegue saber se seu amigo está triste ou irritado só de olhar para ele? Essa é uma característica de um cérebro feminino. Mas um homem também pode ter essa sensibilidade e outros comportamentos geralmente ligados a um cérebro feminino. Isso porque a sexualidade cerebral não está ligada diretamente ao sexo do corpo. “O sexo do cérebro é determinado pela quantidade de testosterona [hormônio masculino] a que o feto fica exposto no útero. Em geral, homens recebem doses maiores do que as mulheres. Mas isso varia e nós ainda não sabemos exatamente por quê”, diz a ÉPOCA a neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
A diferença entre o cérebro dos dois gêneros tem raízes evolutivas. Segundo Moir, durante o desenvolvimento dos seres humanos, como o homem era o caçador, desenvolveu um cérebro com habilidades manuais, visuais e coordenação para construir ferramentas. Por isso, um cérebro masculino tem mais habilidades funcionais. Já as mulheres preparavam os alimentos e cuidavam dos mais novos. Elas tinham que entender os bebês, ler sua linguagem corporal e ajudá-los a sobreviver. Elas também tinham que se relacionar com as outras mulheres do grupo e dependiam disso para sobreviver na comunidade e, por isso, desenvolveram um cérebro mais social. Os homens, por sua vez, lidavam com um grupo de caçadores, não precisavam tanto um do outro e se comunicavam menos, apenas com sinais.
Moir acredita que a diferença de sexo entre cérebro e corpo pode estar ligada às causas do homossexualismo. “Se a concentração de testosterona no útero está mais baixa do que o padrão para os homens, então o 'centro sexual' do cérebro será feminino e esse homem sentirá atração por outros homens. Se a concentração desse hormônio estiver alta, o 'centro sexual' será masculino e ele sentirá atração por mulheres”, diz Moir.
Moir está desenvolvendo uma linha de pesquisa para entender melhor as diferenças neurológicas entre homens e mulheres e, para isso, desenvolveu um teste que mostra numa escala de 1 a 20 qual é o sexo do cérebro. O número 1 representa o cérebro mais masculino possível e o 20, o mais feminino. Quem se aproxima do 10 tem um cérebro misto. Segundo Moir, esse último caso é muito comum em suas pesquisas.
Além do teste, outro fator que pode mostrar o sexo do cérebro de uma pessoa, segundo os estudos de Moir, é a medida dos dedos das mãos. Segundo os estudos da inglesa, geralmente, quem tem cérebro masculino tem o dedo indicador menor que o anelar (olhando para a mão de frente para a palma). Já cérebros femininos são associados a dedos indicadores do mesmo comprimento que os anelares. Mas isso não é uma regra sem exceção, como praticamente tudo na biologia. A pesquisadora diz que, às vezes, uma mesma pessoa tem uma mão nos padrões do cérebro masculino e outra do feminino e isso exige mais estudos para entender a organização do cérebro.
 Reprodução
E seu cérebro, é masculino ou feminino?
 
 Qual é o sexo do seu cérebro? Clique aqui

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cientistas revertem envelhecimento



Vida imita a arte: como no filme O Curioso Caso de Benjamin Button, em que homem nasce velho e rejuvenesce, cientistas conseguem reverter o envelhecimento em ratos

SÃO PAULO - Cientistas da Universidade de Harvard (Dana-Farber Cancer Institute) conseguiram pela primeira vez reverter parcialmente a degeneração associada à idade em ratos.
Como resultado, os animais apresentaram crescimento de tecido no cérebro e testículos, além de melhora na fertilidade e retorno das funções cognitivas.
O trabalho, publicado na Nature, foi liderado por Ronald A. DePinho, professor de genética da instituição.
Como na história de F. Scott Fitzgerald, o Curioso caso de Benjamim Button, ratos envelhecidos começaram a rejuvenescer – mas, ao contrário do conto da ficção levado aos cinemas com Brad Pitt no papel principal, o fenômeno contou com a ajuda  da ciência.
O professor DePinho e sua equipe conseguiram o feito ao criar ratos com um gene especial que permitia controlar a enzima telomerase, responsável por manter as “capas” protetoras, chamadas telômeros, na ponta dos cromossomos.
Conforme envelhecemos, os níveis de telomerase caem. Há tempo pesquisadores sabem que essa queda está associada com a erosão progressiva dos telômeros, o que pode contribuir para a degeneração do tecido e declínio de funções.
Criando ratos com um “interruptor” de telomerase, os pesquisadores conseguiram envelhecer prematuramente alguns animais e, da mesma forma, reativar a enzima para testa se seria possível também rejuvenescer os animais. As condições observadas com o envelhecimento precoce forma testículos reduzidos, ausência de esperma, baço atrofiado, intestino danificado, encolhimento do cérebro e incapacidade de desenvolver novas células cerebrais.
Via  Loiane Groner e InfoAbril