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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Paraplégicos podem sim, fazer muitas coisas

Este vídeo foi realizado com o desejo de mostrar a todos as pessoas com necessidades especiais, assim como eu, que fiquei paraplégica após um acidente com um portão de ferro, de minha própria garagem, que soltou-se e me atingiu. Estou paraplégica à tres anos, mas com muita garra no processo de recuperação, e quero muito passar através deste vídeo, que nós paraplégicos podemos sim, fazer muitas coisas. Precisamos acreditar no nosso potencial, e temos forças para isto. Você pode se perguntar, que faço tudo isto porque tenho condições financeiras, nada disto...Entrei para uma ong que disponibiliza este trabalho, e para mim, foi maravilhoso. É um projeto que tem como meta, ajudar aos deficiêntes com muita dedicação e carinho. O Projeto chama-se Ampliar, em Curitiba. Obrigada a todos que divulgarem este vídeo. Laura R. Rocha.

Laura Rodrigues Rocha
• Aconteceu comigo, uma luz se apagou, cai na armadilha do destino? Estava no lugar certo, na hora errada?


No ano de 2008, exatamente no dia 22 de novembro, às 18h20 minutos, e desta data, nunca esquecerei... Fui atingida por um portão de ferro com quase 200 quilos em minha residência. Já deitada no chão senti algo estranho, muito rápido, como um raio passar por minhas pernas, queimando, e pensei “Que Dor é esta?” Nunca senti nada parecido com isto antes, tão quente e cortante, e, mal sabia eu, que esta dor estaria constantemente em todos os segundos de minha vida a partir daquele momento trágico.
Minha visão escureceu, o medo da morte veio tão forte, que me coloquei a gritar com todas as minhas forças, num vai e vem de consciente e inconsciente. Fui socorrida, e a partir de então, já no hospital recebi o diagnóstico de ter fraturado a coluna, e que teria que me submeter a uma cirurgia, que foi realizada no dia seguinte pela manhã. Passei a noite acordada em uma ansiedade muito grande. O problema maior, foi o diagnóstico, fraturei a lombar L1, L2, que se estendeu até a torácica T12. Recebi durante a cirurgia que duraram três horas, cinco pinos na coluna, duas placas, e enxerto de osso. Fiquei na UTI durante dois dias, quieta, assustada, mas tranqüila... A espera do médico. Quando fui para o quarto, sem imaginar que o prognóstico de todo este pesadelo, ainda estava por vir, e ele seria torturador. "Uma lesão medular", e conseqüentemente... A paraplegia. Desesperei-me quando percebi que minha bexiga não funcionava mais sozinha, era preciso passar uma sonda pela uretra para esvaziá-la, um cateterismo. Meu intestino, eu também não sentia mais, e era preciso induzi-lo para funcionar, meu corpo parecia enorme, quando pegava em minhas coxas, tinha a sensação de que estavam enormes, pesadas, pois meu corpo estava adormecido do quadril para baixo, devido à lesão.
No decorrer de dois dias, precisei usar um colete que me comprimia toda, neste início de toda minha história.
As pessoas que cuidavam de mim eram muitas, entre familiares e enfermeiros, senti-me virada do avesso em muitas situações marcantes. Mas nunca esquecerei meus filhos, meu marido, minha família e amigos ali tão presentes no pior momento de minha vida. Eu lia no olhar deles a preocupação, como estar planejando um novo esquema de vida, para todos da família. Passados os cinqüenta dias de internação recebi alta, voltei para casa e um quarto, um banheiro já planejado, esperava para acomodar uma pessoa paraplégica. Imaginar este quadro do antes e do depois, trás uma amargura muito grande. Aquele “eu” de antes, fica fragmentado no corpo e é muito forte a conjunção dos dois. É o momento de se conscientizar de forma muito profunda, que existe uma nova situação, ela é real, e se faz a necessidade de estar abdicando de algo que existe, a parte inferior do corpo, e aprender a engatinhar novamente, fazer, buscar, correr atrás para recuperar o que se perdeu. É uma situação que dói profundamente a alma, pela perda de uma parte tão importante do corpo, e enfrentar este luto. Os dias e noites pareciam não ter fim, eu me negava a comer, e o choro vinha fácil. É triste pensar, imaginar não poder mais ter a liberdade de ir e vir, sentir-se como uma boneca, toda largada, em um corpo sem movimento, dependendo de tudo e de todos, como um bebê, que se não cuidado, alimentado pela mãe ou outro responsável, morrerá.
E eu, tive a sorte de ser muito bem cuidada, pelos que me são próximo, caros, com muito amor. Entrei em uma fenda do tempo, bloqueei o desespero, eu precisava achar em meu cérebro, um caminho para percorrer e encontrar uma tábua de salvação para dar conta de continuar viva, como se neste bloqueio, eu conseguisse acordar de um sonho ruim, que aquilo não estava acontecendo comigo, e eu precisava muito, com muita urgência acordar daquele pesadelo. Muitas vezes, me peguei imaginando que para tudo na vida existe um jeito, menos para a morte, e se eu não morri precisava reunir forças, e me encaixar naquele corpo desengonçado. Já achando uma explicação para o ocorrido, como costumo fazer sempre. No passar dos dias, a sensação de morte impregnava todo meu ser. Olhava para meu armário, minhas coisas, minhas roupas, os sapatos que eu adorava meu perfume, meu cheiro bom... Eu não precisava mais daquelas coisas, como se realmente eu não existisse mais. Meus pés, uma parte do meu corpo que gosto muito, ficaram caídos, largados, sem vida, sapato nenhum para neles, eu Laura, vaidosa até os dentes... Não poderia mais usar saltos? Tristeza para qualquer mulher. Que dor imaginar um nunca mais andar, dentro do corpo e da mente de uma mulher vaidosa, ou não. Li em um livro, que a vida do corpo é sentimento: a pessoa sentir-se viva, alegre, bem, triste ou excitado, saber sentir-se, desvendar-se, e isto são muito importante, saber manter-se, reconhecer seu corpo. Caso contrário, vem à depressão, a devastação da negatividade da vida quando existe um desmotiva mento do indivíduo, ao negar qualquer reação em seu beneficio próprio. A lesão medular devasta a pessoa como um todo, o que era antes, dependendo da lesão, é definitiva, não existe chance de volta, parece um esvaziamento de todo conteúdo que estava guardado, revolta, dá vontade gritar, espernear, e um sentimento de mágoa do tamanho do mundo toma conta do coração, uma mágoa com Deus, porque eu, porque eu meu Deus. Senti-me perdida, impotente.
Mas como sabemos, o tempo vai curando nossas feridas, mesmo amargurada, passo a passo no sentindo de progredir, devagar fui adquirindo a percepção de lutar pela existência. Percebi claramente uma abertura interior muito grande no sentido da vida, de como é importante e lindo estar vivo, pelo existir, por poder ver o colorido das flores, por ouvir uma música e falar, falar e falar quantas vezes eu quiser, ao mundo todo, que eu não vou desistir que não me cansarei de esperar por um novo dia, e por que não, para que as pesquisas com aplicações de células tronco acabem por descobrir definitivamente, a cura. Muitas vezes nos envolvemos com coisas banais, e valorizamos muito algo que não faz sentido, não nos acrescenta nada diante do que é ter o prazer de andar, dar um passo em qualquer direção, correr, pular, chutar as águas na beira da praia, ter as pernas e os pés se movimentado novamente.
Difícil sensação de estar sentindo-se pela metade, meu corpo estava inerte, eu não podia me mexer. No hospital, comia por canudinhos, e os enfermeiros me viravam em bloco de duas em duas horas, para evitar escaras pelo corpo.
Neste momento, o diagnostico de paraplegia estava confirmado para a família, mais ainda nada estava esclarecido para mim, mais, pela feição de meus familiares, eu sentia que era muito sério, e resolvi deixar de lado estar fazendo perguntas, já que a dor que me consumia não deixava espaço para mais nada. Naqueles momentos de silêncio, eu só pensava na minha vida, no meu trabalho como psicóloga, nos pacientes que atendia, nas coisas que poderia perder minha liberdade, que é tudo para mim, não gosto de me sentir presa e pelo meu estado físico de inércia, senti-me desolada, com um buraco do tamanho do mundo no peito, muita tristeza e dor.
O Tempo passou... Três anos... Faço natação três vezes por semana, e fisioterapia. Fiz este vídeo para mostrar que nós paraplégicos mesmo diante das limitações e dores, podemos sim ser fortes e realizar muitas coisas. Como eu que escrevi um livro "A Colina Dos Lírios" , 295 páginas, que está na Editora Agbook, com vendas só via Internet. Mas meu sonho não termina por ai, enquanto escrevia "A Colina dos Lírios", sonhava com cada personagem em ação, pois a história é muito linda, de uma época lá atrás quando o amor... O casamento era sagrado, os pais escolhiam o marido para as filhas, que ainda muito jovens já se casavam, com ou sem amor, deixando muitas vezes seus sonhos jogados pelo vento. Fala dos escravos, de todo o sofrimento que passavam nas mãos de seus senhores, que comandavam suas vidas. Dos barões do café e cana de açúcar, assassinatos, capitão do mato se entregando a emoção de salvar sua sinhazinha das mãos do senhor barão, e tendo um olhar amoroso, quando avista de longe o espírito de seu senhor junto à esposa já morta pela enchente... O livro trás uma bela história, que sei que se for pincelada, restaurada do livro para uma minissérie, ficará um trabalho maravilhoso. Tenho um desejo enorme de que uma das autoras, Maria Adelaide Amaral, Glória Perez, Elizabeth Jhin, lessem meu romance. Muitos me falam se não estou querendo ir longe demais, e eu respondo que se eu fosse levar minha vida com este pensamento, eu nem estaria escrevendo esta matéria. Correr atrás de um sonho, mesmo que seja sentada em uma cadeira de rodas, persisto... Tudo vale à pena quando ainda existe vida em nós. Eu e Você... Que estamos paraplégicos sabemos do quanto é difícil, mas não podemos desistir... Jamais Temos que fazer a diferença. Um abraço.
Contato
Laura_rrodrigues@hotmail.com
Blog: Estrela do meu Coração
Ou no face book Laura Rodrigues Rocha.

3 de Janeiro
Laura Rodrigues Rocha

18 comentários:

Laura Rocha disse...

Hoje, fiquei super feliz ao ver meu vídeo aqui no Blog do oracy Filho. Você, quem estiver precisando de ajuda para estar praticando um esporte, recorra a uma ong, pois lá você encontrará outras pessoas com necessidades assim como você. Também existe a possibilidade de fazer amigos e redescobrir-se como pessoa. Você, eu, podemos fazer a diferença, temos forças para isto. Comece e verá que se sentira maravilhosamente bem. Tente, não desista de ser feliz, você pode muito. Se quiser conversar entre em contato comigo. Grande abraço


Laura Rodrigues Rocha

Pri disse...

Laura, você é um grande exemplo de vida para todos nós, que muitas vezes reclamamos da vida sem motivo e achamos que temos grandes problemas. Devemos nos inspirar em histórias como esta para seguir em frente. Continue neste caminho que com certeza ainda virão muitas conquistas!
beijos

jayme bueno disse...

um exemplo formidável de superação. Fiquei encantado.

Gi disse...

Laura...fico feliz por essa grande superação, força de vontade...Vc é uma pessoa maravilhosa, mto especial e ótima profissional. Que Deus ilumine seu caminho e que vc continue com toda essa força de vontade....Parabéns tb a família que apóia e aos profissionais...pois sem eles tb não conseguimos mta coisa....Bjão

Laudiceia disse...

Querida mana,só nós que participamos dessa história que vc postou,sabemos da sua coragem e determinação,uma das coisa que mais me orgulho em vc,é que em momento algum por menor que seja o meu problema, vc tenha usado o seu para comparar ao meu e achar q por estar incapacitada de fazer milhares de coisas que gostava de fazer sozinha, nós não temos o direito de reclamar por pequenas coisas rotineiras.Sei que grande parte de sua luta em aprender a conviver com está nova fase da vida e as dores constantes vem do seu grande amor pela família , pois sabe q se entregar a tristeza, nós levará junto.Parabéns pela sua determinação e força de vontade és uma vitoriosa .Te amooo

Marcelly disse...

Tia, você para mim é um exemplo de amor à vida e superação.Te amo, parabéns por tudo

Doug disse...

A Laura é um ótimo exemplo de superação! Parabéns por continuar sempre em frente!

Patrícia Melo disse...

Amiga querida, fiquei muito emocionada com sua história! Exemplo de superação! Não desista!

luci disse...

oi laura vc pode sim muitas coisas olema e força amiga beijo

Leonardo disse...

Tiaa Lauraa.. estou muito feliz por voce estar enfrentando isso voce e um exemplo para muitas pessoas.. continue assim grande beijoo leeo

Vinícios disse...

Tia, continue com força.
Espero que muita gente possa usar suas experiências de vida como exemplo!

Jonas disse...

Laura, bacana d+, paraplégico PODE TUDO!

João Angelo disse...

Conheci a Laura antes do acidente.. Fui seu vizinho e testemunhei a vaidade que ela fala em sua narrativa.
Mas tambem conheci sua vivacidade, sua alegria pela vida e sua energia forte e constante.
Isso explica a sua continuidade na vida, e teno certeza que ainda fará muito por ela e por outras pessoas..
Laura....meu respeito e minha admiração...beijos

Feres Felipe Daher Junior disse...

Parabéns, muita força.

Francisca disse...

oi prima! Parabéns pela superação, sei q cada dia é um novo dia, sei q esta sendo um exemplo muito positivo pra muitos, ficamos aqui juntos em oração e torcida, bjão

Lucas Eduardo Alves disse...

Laura, sou irmão de um tetraplégico e estou precisando de uma tábua de transferência, moramos em Guaratuba, e aqui não tem, ele levou um tiro na medula, a 3 anos atras, ele esta em recuperação, mais precisamos da tábua, se você souber aonde tem, de preferencia Curitiba ou Joinville, entre em contato comigo, (msn): edshardrock@hotmail.com, (facebook) facebook.com/edsrockeiro. por favor, estamos precisando muito!! Obrigaado!!

Arraial Espírita disse...

Laura, não vence a jornada quem tem pés dispostos, musculos preparados e corpo ereto. Vence quem sabe renunciar a si mesmo e nas dificuldade da vida nunca esquece de sorrir e amar ao proximo; vence quem aprende nas vicissitudes a superar a a si mesmo e amparar o proximo em fraternidade.
Laura, seja sempre este exemplo de esperança para todos, demonstrando que sempre há um novo amanhã que Deu nos concede para sermos felizes e plenos de amor...
De sua sempre Irmã Carla

Alessandro Oliveira disse...

Parabens !