Siga o Blog do Oracy

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Outra Vida


Hoje despertei nostálgico.
Parece que passei a noite inteira entregue a sonhos povoados por flashes de amigos cujos rostos há décadas já não consigo recordar direito.
Entristecendo-me ainda mais, nestes sonhos os seus sorrisos me chegavam imprecisos como que através de uma bruma, cambiando silenciosos, parecendo advindos de uma outra dimensão; os semblantes pouco nítidos, os olhos enevoados, claros, comuns nas fotografias envelhecidas e já semiapagadas pelo tempo.
Tudo como num flime cinza dos anos 20.
Acordei assim com a sensação incômoda de lembraças que escapam e não voltam de imediato, uma imagem conhecida , fugidia, que teima em perder-se de vez da gente. Quase feito um torto déja-vù.
Pensei nesses velhos amigos, já idos, levados desta vida bem antes de mim e senti uma saudade imensa. Quis retê-los um pouco mais, com vontade de perguntar como estavam indo, o que faziam ; saber de fato das suas vidas, obtendo uma resposta precisa, objetiva, dessa outra etapa que muitos propalam, existe depois daqui.
Quisera tanto estabelecer uma comunicação direta, poder perguntar, conversando livremente como antigamente quando jovem, com toda sinceridade e abertura, sem mêdo de incorrer em qualquer besteira, sabendo de fato da verdade nua e crua.
Mas não consegui dormir de novo.
Levantei, andei pra lá e pra cá; imerso em pensamentos.
Depois do banho tomado despertei de vez e então aquela sensação indefinida de minutos atrás evanesceu por completo, dando lugar ao presente blasé de cada dia.
E assim me vesti, dirigi para o trablho e voltei a viver o comum novamente, sem sequer desconfiar que esses momentos estranhos, subjetivos na sua essência talvez sejam como uma viagem antecipada, uma porta  para uma outra vida que nos espera e sobre a qual não temos absoluto conhecimento. E esses sonhos, tão somente um tênue elo de ligação entre dois mundos. Um, onde estamos, superficial, movido pelas ações; outro,
para onde iremos daqui um tempo, profundo, fundamentado apenas em puros pensamentos.
Só pensamentos. 

Nilson Ribeiro, poeta ao acaso desde menino, fluminense de 57 anos, dos quais 42 de labuta, lidando com gente de todo quilate, fiz disso inspiração diária pra aguentar os trancos da vida.

2 comentários:

silversff disse...

Muito profundo meu amigo, um sentimento vivido por poucos...

abraços

silversff disse...
Este comentário foi removido pelo autor.