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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Compras Online e seus perigos


Comprei dois objetos relativamente caros através do MercadoLivre, site de vendas que corresponde, no Brasil, ao norte-americano eBay. Bastou comentar o fato com amigos para ganhar status de criatura destemida, que gosta de viver perigosamente. O interessante é que eu não estava entre novatos na rede, mas sim gente bem familiarizada com a internet, com anos de estrada e muitas compras via amazon.com nas costas.
Não devia ter me surpreendido. Se ainda há quem não confie inteiramente em fazer compras online em empresas como o submarino.com.br, não é de estranhar a desconfiança num site de comércio eletrônico como o MercadoLivre, onde a negociação é feita indivíduo a indivíduo.
Todo mundo conhece alguma história de horror tendo o MercadoLivre como cenário, e o que não falta na rede são foruns e blogs de usuários lesados.
Contribuem para aumentar a ansiedade dos usuários a interface bisonha e a navegação horrenda do site, a falta de clareza dos seus textos e a ausência de um suporte no qual se sinta um mínimo de firmeza.
Mas tudo é relativo. Quantas histórias de horror todos nós não conhecemos envolvendo o comércio convencional? Nesse exato momento, a minha filha – para não ir mais longe – está às turras com uma loja de colchões safada que lhe vendeu um produto defeituoso e recusa-se a trocá-lo ou a recebê-lo de volta. Não ocorre a ninguém culpar o shopping em que a loja está localizada, porque há tempos assimilamos o fato de que um shopping é uma reunião de lojas, e não a loja em si mesma.
O MercadoLivre é essencialmente um shopping virtual, um ponto de encontro entre compradores e vendedores – mas, ao contrário dos shoppings da vida real, é, ao mesmo tempo, a grife sob a qual reúne-se toda essa gente.
“Toda essa gente”, de acordo com dados do próprio MercadoLivre, são mais de 55 milhões de pessoas, espalhadas por 13 países, que, em doze anos, foram responsáveis por meio bilhão de anúncios. São números impressionantes.
Nunca tive problemas com compras feitas por lá. No ano passado passei relativamente perto disso, mas a questão resolveu-se sem traumas: comprei um Nokia N95 de um vendedor de Salvador que, duas semanas depois, ainda não me tinha enviado o aparelho. Cancelei a operação, e ele restituiu o que eu havia pago. Final feliz, ainda que um pouco demorado. As recentes compras, feitas com dois diferentes vendedores, transcorreram sem sobressaltos.
É claro que é preciso um mínimo de cuidado na hora de gastar online. Recomendo a quem quer se aventurar em campo um mínimo de precauções. Desconfiar de preços muito maravilhosos é a principal delas: milagres não existem. Ler com cuidado a descrição do produto e as credenciais do vendedor é outro passo fundamental para quem quer evitar chateações. Cheque quantos produtos semelhantes ao que você quer ovendedor já vendeu, e leia as qualificações que recebeu de outros usuários. Não tenha medo de passar por chato, e faça, antes da compra, todas as perguntas que quiser a respeito do produto e do frete.
Pague da forma que lhe for mais conveniente em caso de produtos baratinhos, mas prefira usar o Mercado Pago quando o valor pesar no bolso. Como ele pertence ao MercadoLivre, sofre dos mesmos defeitos de nascença, da navegabilidade à clareza: acho que os dois estão entre as páginas menos amigáveis da rede. O sistema, porém, que utiliza o mesmo princípio do PayPal, é bastante seguro. O dinheiro é entregue ao Mercado Pago, que o repassa ao vendedor apenas quando o comprador confirma o recebimento da mercadoria.
Cora Ronái

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